Impacto dos Juros Elevados na Economia Brasileira em 2025
O Banco Central errou as projeções do Produto Interno Bruto (PIB) para o quarto trimestre de 2025 e para o ano inteiro, com a política monetária restritiva e a Selic alta freando a atividade econômica. O IBC-Br indicou queda de 0,2% no último trimestre, enquanto o IBGE apontou alta de 0,1%, revelando divergências nas estimativas oficiais.
Desaceleração do Consumo e Endividamento Recorde
O maior impacto dos juros bancários elevados foi a contenção da demanda, que levou a um endividamento recorde das famílias e a uma forte queda no consumo. Após crescer 5,1% nos 12 meses até dezembro de 2024, o consumo das famílias desacelerou para 0,8% no último trimestre de 2025, ficando praticamente parado nos três meses finais do ano.
Investimentos e setores-chave também recuaram:
- A formação bruta de capital fixo caiu 3,5% no último trimestre em relação ao anterior, acumulando queda de 5,8% desde o início do ano.
- O setor de Serviços, que representa 68,5% do PIB, cresceu apenas 1,8% em 2025.
- A Indústria avançou 1,4%, e o comércio apenas 1,1%, refletindo a desaceleração geral.
Setores que Sustentaram o Crescimento
O crescimento do PIB de 2,3% em 2025 foi sustentado principalmente por setores com demanda mais ligada ao mercado externo:
- Agropecuária: cresceu 11,7%, impulsionada por safras de milho (+23,6%), soja (+14,6%) e laranja (+23,4%), respondendo por 32,8% do crescimento do PIB.
- Indústria extrativa mineral: avançou 8,6%, com destaque para petróleo e gás, que cresceram 15,3%.
- Atividades financeiras e de seguros: subiram 9,0%, contribuindo significativamente para o resultado anual.
Juntos, agropecuária e extrativa, que representam 10,6% do PIB, garantiram mais da metade do crescimento econômico do ano passado.
Análise do Bradesco e Perspectivas para 2026
Segundo o Bradesco, a economia ficou praticamente parada no segundo semestre de 2025, com desaceleração importante da demanda doméstica. Os efeitos acumulados da política monetária restritiva contribuíram para reduzir a inflação, mas também frearam o PIB.
Projeções e comportamentos setoriais:
- Setores mais cíclicos subiram 1,5% em 2025, enquanto os exógenos avançaram 3,6%.
- No último trimestre, serviços lideraram o crescimento, impulsionados por atividade financeira e serviços de informação e comunicação.
- A agropecuária aumentou 0,5%, mas a indústria caiu, puxada pela construção civil e indústria de transformação.
Para 2026, o Bradesco espera uma alta de 1,5% do PIB, indicando uma recuperação modesta frente aos desafios econômicos persistentes.
