Juros Altos Freiam Crescimento: PIB de 2025 Cresce Apenas 2,3% e Economistas Apontam Desaceleração
Juros Altos Freiam PIB de 2025; Crescimento Fica em 2,3%

Juros Altos Freiam Crescimento: PIB de 2025 Cresce Apenas 2,3% e Economistas Apontam Desaceleração

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (03) que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025, consolidando um cenário de perda de ritmo na economia na reta final do ano. Este desempenho representa uma desaceleração significativa em comparação com os 3,4% registrados em 2024, marcando um período de expansão mais modesta após fases anteriores de crescimento mais robusto.

Efeitos Cumulativos da Política Monetária Restritiva

Para Pablo Spyer, economista e conselheiro da Ancord, o nível de atividade praticamente não avançou nos últimos três meses de 2025, repetindo o crescimento muito fraco observado no trimestre anterior. Ele destaca que o resultado é uma consequência direta do ciclo de aperto monetário implementado nos anos anteriores.

"Esse desempenho reflete, sobretudo, os efeitos cumulativos da política monetária restritiva. O aumento dos juros ao longo de 2024 e 2025 foi sendo transmitido com as defasagens típicas, esfriando o consumo das famílias, reduzindo investimentos e afetando parte da atividade industrial", afirma Spyer.

O economista ressalta que o início de 2025 foi impulsionado pelo agronegócio, mas chama atenção para o comportamento dos trimestres seguintes. Após um primeiro trimestre mais forte, os três períodos subsequentes registraram crescimento próximo de zero, um desempenho considerado abaixo do potencial da economia brasileira.

Juros Devem Permanecer Elevados no Curto Prazo

Na mesma linha, Guilherme Gaspar, sócio da Ótmow, avalia que a desaceleração observada no segundo semestre está alinhada ao efeito retardado da política de juros elevados. Ele lembra que o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15,00% na reunião de 28 de janeiro e sinalizou postura cautelosa diante do cenário de incertezas.

"O comunicado indica que os juros devem permanecer em patamar elevado no curto prazo. Ainda assim, o mercado projeta cortes mais adiante. O relatório Focus aponta uma Selic de 12,00% ao fim de 2026, condicionada à continuidade do processo de desinflação", observa Gaspar.

Os dados do IBGE mostram que o PIB cresceu apenas 0,1% no quarto trimestre de 2025, confirmando a tendência de desaceleração. No acumulado do ano, a alta de 2,3% reflete um desempenho econômico mais fraco, com impactos visíveis em setores como consumo e investimentos.

Perspectivas para 2026 e Impactos no Mercado

Economistas projetam que a manutenção dos juros altos no curto prazo continuará a pressionar a atividade econômica, embora expectativas de cortes na Selic em 2026 possam trazer algum alívio. O mercado financeiro acompanha de perto esses indicadores, ajustando projeções conforme a evolução da política monetária e dos dados inflacionários.

A desaceleração do PIB em 2025 serve como um alerta para os desafios enfrentados pela economia brasileira, destacando a necessidade de equilíbrio entre controle inflacionário e estímulo ao crescimento. Com o agronegócio perdendo força ao longo do ano, outros setores precisam se fortalecer para sustentar a expansão econômica nos próximos períodos.