IBC-Br registra alta de 0,8% em janeiro, maior crescimento mensal desde janeiro de 2025
IBC-Br tem alta de 0,8% em janeiro, maior desde 2025

O Índice de Atividade Econômica do Brasil (IBC-Br), divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, 16 de março, registrou uma expansão de 0,8% no mês de janeiro, na comparação com o mês anterior, após ajuste sazonal. Este resultado representa a primeira alta mensal do indicador desde novembro do ano passado e configura o maior crescimento mensal observado desde janeiro de 2025, quando o índice avançou 1,2%.

Desempenho setorial detalhado em janeiro

A análise setorial do IBC-Br para janeiro revela desempenhos heterogêneos entre os diferentes segmentos da economia brasileira. O setor de serviços foi o grande destaque positivo, registrando um crescimento robusto de 0,9%. A indústria apresentou uma modesta expansão de 0,2%, enquanto a agropecuária surpreendeu negativamente com uma contração de 1,5%.

Comparações anuais e acumuladas

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br apresentou crescimento de 1%, calculado sem ajuste sazonal. Já no acumulado dos últimos doze meses até janeiro, a expansão do índice foi de 2,3%, demonstrando uma trajetória positiva da atividade econômica brasileira no médio prazo.

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Contexto macroeconômico e perspectivas

Este resultado ocorre em um cenário de desaceleração econômica esperada para 2025, conforme projeções tanto do mercado financeiro quanto do próprio Banco Central. A instituição mantém a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, como instrumento para conter as pressões inflacionárias.

O Banco Central tem sinalizado que os juros devem permanecer neste nível elevado por um "período bastante prolongado" de tempo, com analistas dos bancos antecipando possíveis cortes somente em 2026. O mercado financeiro estima uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,8% em 2026, enquanto o governo projeta uma expansão mais otimista de 2,3%.

Relação entre IBC-Br e PIB oficial

O IBC-Br é frequentemente considerado uma "prévia do PIB", embora utilize metodologia distinta do cálculo oficial realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto o indicador do Banco Central incorpora estimativas para agropecuária, indústria, serviços e impostos, não considera o lado da demanda, que é parte integrante do cálculo do PIB pelo IBGE.

Este índice representa uma das ferramentas fundamentais utilizadas pelo Banco Central na definição da política monetária e da taxa básica de juros do país. Um crescimento mais vigoroso da economia, como o observado em janeiro, pode gerar pressões inflacionárias adicionais, o que contribuiria para manter os juros em patamares elevados por mais tempo.

Estratégia do Banco Central

A autoridade monetária tem sido explícita ao afirmar que uma desaceleração econômica, ou seja, um ritmo mais moderado de crescimento, faz parte da estratégia para conter a inflação no país. O Banco Central avalia que este é um "elemento necessário para a convergência da inflação à meta" estabelecida de 3%.

No comunicado da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em dezembro, o Banco Central informou que o chamado "hiato do produto" segue positivo, indicando que a economia continua operando acima do seu potencial de crescimento sem pressionar excessivamente a inflação no curto prazo.

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