IBC-Br registra expansão de 2,5% em 2025, menor crescimento em cinco anos
IBC-Br cresce 2,5% em 2025, menor em cinco anos

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central, amplamente considerado como a "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB), registrou uma expansão de 2,5% no ano de 2025 em comparação com o período anterior, conforme informou a instituição nesta quinta-feira (19). Este resultado representa uma clara desaceleração da economia brasileira quando contrastado com o desempenho de 2024, que havia apresentado um crescimento mais robusto de 3,7%.

Pior desempenho em cinco anos

O crescimento de 2,5% observado em 2025 configura-se como o pior desempenho do indicador desde o ano de 2020, ou seja, em um intervalo de cinco anos. Naquele período, a economia nacional ainda sentia os impactos profundos do isolamento social, decorrente da fase mais crítica da pandemia de Covid-19, que paralisou diversas atividades.

Desempenho setorial detalhado

Analisando o comportamento da economia setor por setor em 2025, os dados revelam uma performance heterogênea:

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  • Agropecuária: apresentou um crescimento expressivo de 13,1%, destacando-se como o segmento de maior expansão.
  • Indústria: registrou um aumento modesto de 1,5%, indicando um ritmo mais lento de recuperação.
  • Serviços: cresceu 2,1%, mantendo uma trajetória positiva, porém moderada.

Entendendo os indicadores econômicos

O PIB representa a soma total de todos os bens e serviços produzidos dentro do território nacional, independentemente da origem do capital, servindo como a principal métrica para avaliar o comportamento da economia brasileira. Já o IBC-Br, um indicador criado pelo Banco Central em 2010, funciona como um termômetro da atividade econômica, reunindo informações de diversos setores, mas com uma metodologia de cálculo distinta da empregada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Enquanto o IBC-Br incorpora estimativas para agropecuária, indústria, serviços e impostos, ele não considera o lado da demanda, componente que é integralmente incorporado no cálculo oficial do PIB pelo IBGE. A divulgação do resultado oficial do PIB de 2025 está agendada para o dia 3 de março, realizada pelo IBGE. Em 2024, o PIB havia registrado um crescimento de 3,4%.

Projeções alinhadas

O Ministério da Fazenda estimou, ainda neste mês, uma expansão de 2,3% para o PIB de 2025, projeção que se alinha com a previsão do Banco Central para o crescimento da economia no último ano, demonstrando uma certa convergência nas expectativas governamentais.

Desaceleração esperada e contexto de juros

A desaceleração da atividade econômica observada em 2025 já era amplamente esperada tanto pelo mercado financeiro quanto pelo próprio Banco Central, diante do cenário de elevada taxa de juros vigente. A taxa Selic, fixada pelo BC como instrumento para conter as pressões inflacionárias, permanece atualmente em 15% ao ano, patamar considerado o mais alto em quase duas décadas.

O Banco Central sinalizou que deve iniciar um ciclo de cortes na taxa básica de juros a partir de março deste ano, com o mercado projetando uma redução inicial de 0,5 ponto percentual, o que levaria a Selic para 14,5% ao ano. A instituição tem deixado claro que uma desaceleração, ou seja, um ritmo mais moderado de crescimento econômico, integra a estratégia para conter a inflação no país, avaliando este movimento como um "elemento necessário para a convergência da inflação à meta", estabelecida em 3%.

Hiato do produto e inflação

No comunicado da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em dezembro, o BC informou que o chamado "hiato do produto" segue positivo. Isso significa que a economia brasileira continua operando acima do seu potencial de crescimento sem exercer pressões inflacionárias adicionais, um dado relevante para a condução da política monetária.

O IBC-Br é uma das ferramentas fundamentais utilizadas pelo Banco Central para definir a taxa básica de juros do país. Em cenários de crescimento econômico mais acelerado, pode haver maior pressão inflacionária, o que, por sua vez, contribui para sustentar ou até elevar os juros, visando o equilíbrio macroeconômico.

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