Gasolina fica mais cara nos postos em fevereiro, apesar de corte de preços da Petrobras
Os brasileiros enfrentaram um aumento nos preços dos combustíveis durante a primeira quinzena de fevereiro de 2026, mesmo com a redução promovida pela Petrobras no mês anterior. Segundo um levantamento realizado pela Ticket Log em parceria com a Edenred, o litro do etanol subiu, em média, 2,36%, alcançando 4,77 reais. Já a gasolina registrou um aumento de 0,16%, sendo vendida, na média, por 6,45 reais por litro.
Corte da Petrobras não chega ao consumidor final
Em 26 de janeiro, a Petrobras reduziu em 14 centavos o valor cobrado das redes de postos, fazendo com que o preço médio da gasolina que saiu das refinarias a partir do dia seguinte passasse a ser 2,57 reais por litro – uma queda de 5%. No entanto, essa diminuição não foi repassada aos consumidores, conforme apontam os dados da pesquisa.
Renato Mascarenhas, diretor de rede de abastecimento da Edenred Mobilidade, explicou que vários fatores impediram a queda de preços nas bombas. Entre eles, destacam-se o aumento das alíquotas de ICMS sobre os combustíveis, em vigor desde 1º de janeiro, e a entressafra de cana-de-açúcar, que reduz a oferta de etanol e eleva a demanda por gasolina. Além disso, custos logísticos e diferenças regionais também contribuíram para a manutenção dos valores elevados.
Regiões e estados com maiores reajustes
O Nordeste foi a região que registrou os maiores reajustes de preços na primeira metade de fevereiro. O etanol subiu 2,82%, com preço médio de 5,10 reais por litro, enquanto a gasolina teve alta de 0,62%, alcançando 6,53 reais. Além dos maiores reajustes, o Nordeste apresenta os preços mais altos do país para esses combustíveis.
Quando se analisa os estados individualmente, Pernambuco teve o maior reajuste do etanol nas primeiras semanas de fevereiro: 5,35%, levando o preço na bomba para 5,12 reais por litro. Já o Rio Grande do Norte reportou a maior alta da gasolina: 2,81%, fazendo com que os consumidores pagassem, em média, 6,59 reais por litro.
Contexto inflacionário e impacto no custo de vida
No ano passado, os combustíveis acumularam uma alta de 2,3%, sendo que a gasolina subiu em média 1,81%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Contudo, neste início de 2026, o ritmo do reajuste acelerou significativamente.
Em janeiro, enquanto a inflação oficial medida pelo IPCA subiu 0,33%, a gasolina ficou 2,1% mais cara e o etanol, 3,44%. Com isso, o grupo de despesas de transporte foi o que mais pesou no custo de vida dos brasileiros no mês passado, evidenciando a pressão contínua sobre os orçamentos familiares.
Essa situação reforça a complexidade do mercado de combustíveis no Brasil, onde fatores fiscais, sazonais e logísticos podem neutralizar medidas de redução de preços, mantendo os consumidores em uma posição de vulnerabilidade frente às oscilações de custos.



