Fed mantém cautela e sinaliza que cortes de juros ainda não são seguros
Fed vê economia resiliente e adia cortes de juros

Fed mantém postura cautelosa e adia cortes de juros diante de economia resiliente

A ata do Federal Reserve (Fed) divulgada nesta quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, revela um cenário macroeconômico que ainda não oferece espaço seguro para a flexibilização monetária. O banco central americano sinaliza cautela diante de uma desaceleração inflacionária mais lenta do que o desejado e uma atividade econômica que continua surpreendentemente acima das expectativas.

Economia americana mostra resiliência incomum

O documento, referente à reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) realizada em 27 e 28 de janeiro, confirma que os Estados Unidos seguem próximos de um raro equilíbrio entre expansão econômica e estabilidade. Participantes das pesquisas de mercado revisaram para cima o crescimento do PIB americano para 2026, enquanto as expectativas para inflação e desemprego mudaram pouco.

A própria equipe técnica do Fed adotou um tom mais otimista em suas projeções. O cenário agora indica crescimento acima do potencial até 2028, apoiado por condições financeiras mais favoráveis e pela dissipação gradual dos efeitos negativos das tarifas comerciais. Isso sugere um mercado de trabalho ainda firme, com desemprego abaixo do nível considerado natural por vários anos consecutivos.

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Inflação persiste acima da meta estabelecida

Os dados apresentados ao comitê mostram uma inflação total medida pelo índice PCE em 2,8% em novembro, acima dos 2,6% observados um ano antes. Já o núcleo da inflação, que exclui energia e alimentos, também ficou em 2,8%, recuando levemente frente aos 3% do ano anterior, mas ainda assim acima da meta de 2% estabelecida pelo banco central.

Há uma mudança estrutural interessante nos componentes inflacionários. O núcleo de serviços, historicamente o componente mais teimoso, começou a aliviar. Em contrapartida, o núcleo de bens voltou a subir, reflexo que a equipe técnica atribui sobretudo ao aumento das tarifas de importação. Para vários membros do FOMC, pressões inflacionárias ligadas a tarifas podem ser temporárias, mas ainda assim atrasam a convergência plena para a meta desejada.

Divergências internas e perspectivas de mercado

A ata revela um comitê menos homogêneo do que o comunicado oficial costuma sugerir. Embora tenha havido consenso em manter a taxa básica estável na faixa de 3,5%–3,75%, não há consenso entre os membros sobre quanto tempo permanecer neste patamar. Essa ambiguidade ajuda a explicar por que o mercado ainda precifica um ou dois cortes de 25 pontos-base neste ano, apesar da postura cautelosa expressa no documento.

No vocabulário do banco central, uma economia operando com recursos apertados significa exatamente o tipo de ambiente que dificulta a última etapa do processo desinflacionário. O dilema clássico de política monetária se apresenta com força: quando a economia se recusa a desacelerar, cortar juros pode ser tão arriscado quanto mantê-los altos por tempo demais.

O pano de fundo para a manutenção dos juros se dá em um cenário macroeconômico menos frágil do que se previa meses atrás. A resiliência da economia americana, combinada com inflação ainda acima da meta, cria um caminho para a flexibilização monetária mais estreito do que muitos investidores gostariam.

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