Cesta básica tem aumento mínimo de R$ 2,60 em São Paulo no último ano, segundo Dieese
Os preços dos alimentos, que enfrentaram disparadas preocupantes desde o início da pandemia em 2020 até o começo do ano passado, estão dando uma trégua significativa nos meses recentes. Em janeiro de 2026, a inflação do supermercado, medida pelos preços da alimentação no domicílio, acumulava uma alta de apenas 0,5% em um ano, conforme os números do IPCA, o indicador oficial de inflação do IBGE. Em comparação, a inflação geral no mesmo período é de 4,4%.
Este cenário representa uma mudança drástica em relação a janeiro do ano passado, quando itens essenciais como ovo, café e carne alcançaram valores exorbitantes, levando a inflação dos alimentos a ultrapassar os 7% e se tornar até mesmo um assunto de governo. Na época, a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma queda, e o Planalto chegou a criar um comitê de crise com empresários e ministros para discutir medidas que pudessem aliviar o aumento dos preços.
Levantamento detalhado do Dieese mostra comportamento dos preços
Com o apoio de um dólar mais baixo e de safras recordes que beneficiaram o campo no ano passado, os preços da comida entram em 2026 de forma bem mais controlada. O levantamento mensal realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revela que, em janeiro, o preço da cesta básica na cidade de São Paulo, a mais cara do país, teve um aumento de apenas 0,3% em um ano.
Ela passou de R$ 851,80 em janeiro de 2024 para R$ 854,40 no último mês, representando um reajuste de apenas R$ 2,60 para o carrinho completo. A cesta do Dieese é calculada em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e monitora a variação dos preços dos 13 itens mais adquiridos pelos brasileiros para sua alimentação, bem como as quantidades necessárias para sustentar uma família.
Esses itens incluem carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga. Dos treze produtos, oito estão mais baratos atualmente, com destaque para o óleo (-3,9%), o leite (-10,6%) e o arroz (-24%).
Salário mínimo compra mais e proporção de gastos cai
Para as pessoas que tiveram aumento salarial igual ou superior à inflação, que ficou próxima de 4% no ano passado, a impressão relativa é de que a cesta básica como um todo ficou mais acessível, já que o aumento total foi menor. O salário mínimo, por exemplo, reajustado anualmente acima da inflação, está 6,8% maior desde o início de janeiro, subindo de R$ 1.518 para R$ 1.621 de um ano para o outro, o que significa R$ 103 a mais por mês.
Com isso, a proporção do salário retida para comprar a cesta completa caiu de 56%, há um ano, para 53% atualmente. De acordo com o Dieese, em São Paulo, uma pessoa que ganha o salário mínimo precisou trabalhar 115 horas no mês, ou 14 dias considerando a jornada de 8 horas, para adquirir a cesta básica.
Reduções expressivas em outras capitais brasileiras
Em algumas cidades, por outro lado, a cesta básica está até mais barata. É o caso de Natal, onde houve a maior queda, de 6%, e de Aracaju, que possui a cesta mais barata do Brasil, com redução de 3,3% em um ano. Em Aracaju, está R$ 18 mais barato comprar a cesta básica, que passou de R$ 571 para R$ 553 entre janeiro do ano passado e janeiro deste ano.
Em Natal, a redução chega a R$ 38, com queda de R$ 634 para R$ 595 em um ano. Das 17 capitais verificadas pelo Dieese, nove chegaram ao fim de janeiro com a cesta básica mais barata, indicando uma tendência de alívio nos custos alimentares em diversas regiões do país.



