Brasil alcança 39ª posição em ranking mundial de crescimento do PIB após trimestre com avanço modesto
O Brasil ficou na 39ª posição em um ranking global de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) referente ao quarto trimestre de 2025, conforme dados divulgados pela Austin Rating nesta terça-feira, 3 de março de 2026. A classificação, que abrange 50 nações, coloca o país na parte inferior da tabela, refletindo um desempenho econômico modesto no período.
Detalhes do desempenho trimestral e comparações internacionais
O PIB brasileiro cresceu apenas 0,1% no ciclo de outubro a dezembro de 2025, de acordo com números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse resultado ficou alinhado com as expectativas do mercado financeiro, que também projetava um avanço de 0,1%. Embora o Brasil tenha superado algumas economias desenvolvidas que registraram contrações, como Noruega (-0,3%), Canadá (-0,2%) e Japão (-0,1%), ficou atrás de potências como Taiwan (5,4%), Estados Unidos (1,4%) e China (1,2%).
No cenário interno, o desempenho setorial apresentou variações significativas:
- Serviços: alta de 0,8%
- Agropecuária: crescimento de 0,5%
- Indústria: recuo de 0,7%
Contexto macroeconômico e impactos da política monetária
Os números da economia refletem um cenário de política monetária restritiva, com a taxa básica de juros (Selic) mantida em 15% ao ano. Juros elevados encarecem o crédito e afetam tanto pessoas físicas quanto jurídicas, pressionando o avanço econômico. Em relação ao terceiro trimestre de 2025, o país manteve a posição de 11ª maior economia do planeta, mas na comparação com o quarto trimestre do ano anterior, houve uma perda de posição, saindo do 10º para o 11º lugar, com um PIB em dólar de 2,2 trilhões.
No ranking geral das maiores economias, o Brasil fica atrás de:
- Estados Unidos
- China
- Alemanha
- Japão
- Índia
- Reino Unido
- França
- Itália
- Rússia
- Canadá
E à frente de nações como Espanha, México, Austrália e Coreia do Sul.
Desempenho anual e perspectivas para 2026
No acumulado de 2025, o PIB variou 2,3%, totalizando 12,7 trilhões de reais. Apesar do crescimento, esse número representa uma desaceleração em relação ao avanço de 3,4% registrado em 2024. O PIB per capita chegou a 59,6 mil reais, com um avanço real de 1,9% frente ao ano anterior.
O principal motor da economia em 2025 foi o agronegócio, que cresceu expressivos 11,7%. Dentro desse segmento, destaque para o milho (23,6%) e a soja (14,6%), que alcançaram produções recordes na série histórica e foram as principais alavancas do setor.
A taxa de investimento em 2025 foi de 16,8% do PIB, contra 16,9% em 2024. Segundo Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, a queda de 0,1 ponto percentual na taxa de investimentos decorre da Selic elevada. No entanto, ele reforça que a economia brasileira segue resiliente e deve crescer 1,8% em 2026.
"Vemos o próximo ano sendo puxado pelos impulsos fiscais, como a isenção do imposto de renda para pessoas que ganham até 5 mil reais por mês, além do aumento da renda e o consumo das famílias", conclui Agostini, indicando expectativas de recuperação moderada para o ano seguinte.



