Banco Central atua para sustentar política de juros baixos em cenário de tensão internacional
Em meio ao agravamento do conflito entre Israel e Estados Unidos contra o Irã, que já completa três semanas com o fechamento do Estreito de Ormuz para petroleiros, o Banco Central do Brasil tomou medidas decisivas para manter o curso do corte de juros. A escassez na oferta de petróleo, agravada pela capacidade limitada de estocagem nos países produtores do Oriente Médio, criou um cenário de incertezas que exigiu intervenção imediata das autoridades monetárias.
Mercado financeiro reage com cautela às expectativas inflacionárias
A Pesquisa Focus do Banco Central indicou uma inflexão na trajetória de baixa dos juros, prevista para a reunião do Copom desta quarta-feira, 18 de março. Diante disso, a instituição agiu rapidamente para reverter expectativas, realizando a recompra de R$ 12 bilhões em papéis pré-fixados. Essa manobra teve como objetivo principal demover as apostas do mercado por juros mais altos, que ganhavam força com o cenário internacional volátil.
Na pesquisa anterior, encerrada em 6 de março, as projeções para o IPCA em 2026 eram de 3,91%, mas foram elevadas para 4,10% e 4,12% na mediana das respostas dos últimos cinco dias. Embora a previsão para março tenha subido apenas de 0,39% para 0,41%, e a de maio se mantido em 0,40%, o mercado reduziu significativamente a expectativa de baixa da Selic na reunião desta semana, de 0,50% para 0,25%.
Impacto da guerra no petróleo e respostas do Banco Central
As expectativas do mercado em relação ao impacto inflacionário da guerra apresentaram mudanças moderadas. A previsão da Selic ao final do ano subiu de 12,13% para 12,25%, mas esse patamar já era esperado antes mesmo do eclodir do conflito. O Banco Central, no entanto, agiu preventivamente para evitar a formação de expectativas altistas, aproveitando a queda de 1% no barril de Brent e no ouro, indicativos de que o cenário bélico não se agravou.
Essa recuperação nos mercados de ações abriu espaço para que a autoridade monetária não abandonasse seu plano de redução dos juros. A estratégia adotada pode ser descrita como uma meia trava cautelosa, trocando uma baixa de 0,50% por outra mais suave de 0,25%, enquanto aguarda os desdobramentos no mercado de petróleo.
Petrobras garante estabilidade no abastecimento nacional
Enquanto o mundo enfrenta a dependência do petróleo do Oriente Médio, especialmente países como Índia, China e Japão, o Brasil conta com a atuação nacional da Petrobras. A estatal torna o país autossuficiente em petróleo, com 70% extraídos do pré-sal a custo inferior a US$ 21, embora ainda dependa de 20% a 25% de importações de diesel e GLP.
Em entrevista à CNN, o ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, garantiu que a saúde financeira da empresa segue sólida. Ele negou especulações sobre perdas e destacou que as métricas operacionais e o fluxo de caixa estão protegidos. Prates também desmistificou a ideia de erros de condução por parte do governo, ressaltando a existência de uma governança rigorosa baseada em critérios técnicos.
Um dos pontos centrais da entrevista foi a garantia de que não há risco de desabastecimento. A Petrobras possui logística e planejamento de estoque robustos para assegurar que o combustível chegue a todas as regiões do país, mesmo diante das oscilações internacionais e do cenário de guerra.
Contraste com políticas anteriores e perspectivas futuras
Jean Paul Prates lembrou que, se tivessem prosperado os planos do governo Bolsonaro de privatizar 50% do parque de refino, os preços disparariam e gerariam uma inflação tremenda, similar ao ocorrido durante a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Ao contrário, com o abrasileiramento dos preços implementado em maio de 2023, a companhia opera com previsibilidade, mitigando volatilidades excessivas sem comprometer sua rentabilidade.
Os preços elevados do petróleo no cenário internacional podem, inclusive, acelerar os planos de ampliação da capacidade de produção de diesel e GNL nas refinarias brasileiras, fortalecendo ainda mais a posição estratégica do país diante das incertezas globais.
