Cillian Murphy fala sobre Oscar, Peaky Blinders e a arte como provocação
Cillian Murphy: arte deve provocar, diz astro em entrevista

Cillian Murphy analisa trajetória e destaca poder da arte em entrevista exclusiva

O ator irlandês Cillian Murphy, astro de Peaky Blinders e vencedor do Oscar por Oppenheimer, concedeu uma entrevista exclusiva à revista VEJA, onde falou sobre sua carreira, a fama e a missão da arte. Em um diálogo profundo, Murphy refletiu sobre como a atuação lhe permite explorar questões complexas e provocar reflexões no público.

Da rejeição inicial ao triunfo como Thomas Shelby

Murphy revelou que não era a escolha óbvia para interpretar Thomas Shelby, o líder da gangue em Peaky Blinders. Inicialmente, o favorito era o ator inglês Jason Statham, conhecido por papéis em franquias de ação. No entanto, em um gesto ousado, Murphy enviou uma mensagem ao criador da série, Steven Knight, afirmando: "Lembre-se, Steve, eu sou um ator". Essa confiança em sua capacidade de transformação garantiu o papel, e sua atuação foi aclamada como soberba.

O sucesso do personagem culmina agora no filme Peaky Blinders: O Homem Imortal, que chega à Netflix no dia 20 de março de 2026. Ambientado após o final da série, o longa explora as tensões do início da década de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, mantendo a atmosfera opressiva que marcou a produção original.

Oscar e o orgulho de representar a Irlanda

A vitória no Oscar por Oppenheimer tornou Murphy o primeiro irlandês a ganhar a estatueta na categoria de melhor ator. Ele expressou orgulho em representar seu país, destacando que a Irlanda, apesar de suas cicatrizes políticas, possui uma produção cultural vibrante e crítica. "Ganhar o Oscar é como uma alucinação estranha", confessou o ator, que vê o prêmio como um marco em sua carreira.

Murphy também elogiou o cinema brasileiro, mencionando o filme O Agente Secreto, indicado em quatro categorias do Oscar. Ele descreveu a produção como excelente, inesperada e imprevisível, fugindo dos padrões convencionais de ritmo e montagem.

A arte como instrumento de provocação

Para Murphy, a arte deve servir como um meio de provocação, levantando questões sem oferecer respostas definitivas. Ele acredita que filmes como Peaky Blinders e Oppenheimer incentivam os espectadores a olharem além do entretenimento, refletindo sobre temas como trauma, família e conflitos políticos. "A arte deve provocar e levantar questões sem dar respostas definitivas", afirmou o ator.

Além disso, Murphy comentou sobre a fama e a viralização de seus memes nas redes sociais. Reconhecendo sua natureza reservada, ele admitiu que não lida bem com a exposição, focando-se no trabalho ético e na qualidade de suas interpretações.

Legado e futuro na indústria cinematográfica

O ator também falou sobre seus projetos recentes, incluindo a produção e atuação em filmes dramáticos de cunho social, como Pequenas Coisas como Estas e Steve. Apesar de ter recusado papéis em grandes franquias, como a Marvel, Murphy valoriza projetos que permitem explorar dilemas humanos e históricos.

Com uma trajetória marcada por escolhas criteriosas e uma dedicação à arte como forma de expressão, Cillian Murphy continua a inspirar audiências e colegas de profissão, consolidando-se como um dos nomes mais respeitados do cinema contemporâneo.