Reggae vive nova onda no Brasil com apoio de Anitta, Iza e Marina Sena
Reggae vive nova onda no Brasil com Anitta, Iza e Marina Sena

Reggae vive nova onda no Brasil com apoio de Anitta, Iza e Marina Sena

Músicas como "Caos e sal / Tão bonito", de Iza; "Deus existe", de Anitta com Ponto de Equilíbrio; e "Combo da Sorte", de Marina Sena, compartilham uma característica: todas são de grandes estrelas do pop brasileiro e apontam para um novo momento de destaque do reggae no país. Nesta segunda-feira (11), celebra-se o Dia Nacional do Reggae. O gênero aparece como o penúltimo tipo de música preferido dos brasileiros, segundo estudo inédito da Globo com a Quaest, à frente apenas do pop internacional.

O uso da influência jamaicana em outros estilos não é novidade, mas a convergência de artistas pop em torno do reggae indica uma tendência. Em 2025, MC Cabelinho lançou "Rastafari", e canções do projeto "Dominguinho", como "Ligação estranha" e "Dois Mundos", reforçam o movimento.

Iza, em entrevista ao g1, celebrou o momento: "Estou achando isso muito louco. Às vezes a gente se pergunta se os conteúdos que estamos vendo estão ali por causa da nossa bolha. Mas não. Está todo mundo se voltando para essa história maravilhosa que é o reggae no nosso país, que se veste de outras formas, como o Olodum, como o xote e várias outras vertentes. Fico muito feliz que está todo mundo muito ligado no reggae". A artista planeja um álbum inteiro dedicado ao gênero.

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Guilherme Guedes, jornalista e apresentador do Multishow, analisa: "A música é cíclica. As coisas vêm em ondas, desaparecem por um tempo e, aí, ressurgem. O reggae e toda a música jamaicana têm uma influência enorme na música brasileira. Porque da cultura jamaicana, vem o lance dos paredões, que é muito forte aqui no Brasil. E tem uma série de gêneros e subgêneros da música eletrônica que hoje estão muito em voga, que também têm uma influência direta da cultura jamaicana". Ele completa: "E acho que a gente tem vivido esse momento também da música que busca uma conexão, uma sonoridade mais orgânica ou uma conexão mais espiritual em alguns casos, e que tem uma conexão direta com o reggae".

Juliana Beydoun, produtora executiva da banda Tribo de Jah, que celebra 40 anos de carreira, vê com bons olhos o flerte do pop com o reggae: "Isso mostra a força e a relevância que o reggae continua tendo dentro da música brasileira e como ele segue alcançando novas gerações e públicos diferentes. Também é muito importante ver uma nova geração de artistas surgindo dentro do reggae e artistas de outros segmentos dialogando com essa sonoridade. Isso reforça que o reggae continua vivo, relevante e com um público muito fiel consumindo o ritmo".

Fãs reagem à ausência do reggae na Virada Cultural 2026

Na última semana, fãs do gênero protestaram nas redes sociais da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo após a divulgação de um cartaz com atrações da Virada Cultural 2026, que não incluía nomes do reggae. A secretaria respondeu que a programação completa, disponível no site, conta com artistas como Mato Seco, Quinta Rasta, Radiola Reggae e o franco-espanhol Manu Chao.

Falta um grande hit?

Para Guilherme Guedes, o que talvez falte para consolidar o atual bom momento do reggae no Brasil é um hit que marque a geração. "[Falta] uma música que estoure. Um reggae feito aqui no Brasil, seja por quem for, que entre para as paradas e de fato consolide esse momento." Ele compara com os anos 1990, quando Edson Gomes, Cidade Negra e Natiruts despontaram. "A gente tá vendo agora um novo momento entre artistas já consolidados explorando a sonoridade do reggae".

Apesar da ausência no mainstream — a faixa mais tocada de reggae na última semana estava na 134ª posição, com "Tudo vai dar certo", do Natiruts —, a força do gênero permanece. Bob Marley já dizia que "reggae não é twist", defendendo que o foco está na mensagem, não na dança. O gênero fala de paz, amor, liberdade, resistência, justiça social e união.

Guilherme Guedes reflete sobre a massificação: "Quando um gênero qualquer se massifica, ele perde muito da sua essência e muitas vezes ele vira apenas uma estética".

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Nomes consolidados ampliam espaço

Edson Gomes foi convidado para o Lollapalooza 2026, embora seu show tenha ocorrido no mesmo horário de Sabrina Carpenter, resultando em público reduzido, mas fiel. O Natiruts surpreendeu ao lotar estádios e arenas na turnê de despedida "Leve com você", que se estendeu até agosto de 2025. A música "Sorri, sou rei" ganhou versão MTG do DJ Topo em janeiro de 2026.

O Tribo de Jah, com 40 anos, viu a demanda de shows crescer. Juliana Beydoun afirma: "A banda sempre teve uma agenda forte de shows durante todo o ano, circulando de norte a sul do país, em grandes palcos e festivais, mas percebemos um interesse cada vez maior pelo reggae nos últimos tempos, inclusive em eventos e espaços que antes não costumavam abrir tanto espaço para o gênero". Ela destaca que o reggae deixou de ser visto como sazonal ou de nicho, ocupando espaços amplos na cultura e no entretenimento.

O Maneva inicia turnê comemorativa de 20 anos com o projeto "Tudo vira reggae", que transforma músicas de diversos gêneros em reggae. O vocalista Tales de Polli contou ao g1 que a ideia surgiu de uma live na pandemia e teve grande repercussão. Seis anos após o álbum, o projeto se conecta com o atual momento e talvez batize essa nova era.