O julgamento que pode expulsar da Polícia Militar (PM) o tenente-coronel Geraldo Neto, preso sob a acusação de matar a esposa, a soldado Gisele Alves, em 18 de fevereiro, será retomado nesta semana em São Paulo. Estão previstos para esta segunda-feira (11) e quinta-feira (14) os depoimentos de três policiais militares amigas da vítima e de um oficial da PM que atendeu à ocorrência no dia do crime.
Processo administrativo no Conselho de Justificação
O processo administrativo tramita no Conselho de Justificação (CJ) da Polícia Militar e começou em abril. O procedimento analisa se o oficial mantém condições morais e funcionais para permanecer na corporação. Neto também é acusado de usar o posto para tentar intimidar policiais militares de menor patente durante o atendimento do caso no apartamento onde Gisele foi morta. Os agentes registraram o comportamento do oficial com câmeras corporais.
Depoimentos marcados
Nesta segunda-feira (11), serão ouvidos uma soldado, às 9h, e um primeiro-tenente, às 11h. Na quinta-feira (14), nos mesmos horários, prestam depoimento uma subtenente e uma cabo — todas amigas da vítima. O primeiro-tenente afirmou à Polícia Civil que estranhou a cena no apartamento: “estranhou esta ocorrência em específico, pois o local estava mais preservado do que o de costume numa situação dessas”.
As três policiais amigas de Gisele relataram à investigação um histórico de controle, ciúme e comportamento possessivo por parte do tenente-coronel. Segundo os depoimentos, o oficial controlava redes sociais da esposa, monitorava conversas e restringia comportamentos pessoais, como o uso de maquiagem e perfume. As testemunhas também afirmaram que Gisele pretendia se separar após descobrir traições do marido. Todas destacaram ainda que a vítima não apresentava tendências suicidas.
Interrogatório e andamento
Ainda não há data definida para o interrogatório de Geraldo Neto no Conselho de Justificação. Procurada pelo g1, a defesa do oficial informou que não irá comentar o processo administrativo neste momento. O procedimento ocorre independentemente da esfera criminal e pode resultar na expulsão do oficial mesmo sem condenação criminal. Formado por três coronéis, o colegiado analisa provas, ouve testemunhas e avalia a conduta do militar. Caso conclua pela incompatibilidade, o processo segue para o Tribunal de Justiça Militar (TJM), que pode determinar a perda do posto e da patente.
Acusação criminal
Neto é réu na Justiça comum por feminicídio e fraude processual. Ele tem 53 anos; Gisele tinha 32 e deixou uma filha de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior. O oficial está preso preventivamente desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo. Segundo o Ministério Público (MP), Gisele queria se separar, mas o marido não aceitava o fim do relacionamento. A acusação sustenta que ele matou a esposa com um tiro na cabeça e tentou simular um suicídio. A defesa nega o crime e afirma que a própria Gisele tirou a vida após ele pedir o divórcio. Laudos periciais e investigações da Polícia Civil e do MP, no entanto, indicam que o oficial teria segurado a cabeça da vítima antes do disparo e alterado a cena do crime. Se condenado, a Justiça pode fixar indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima.



