Vítima de abuso incestuoso revela identidade após irmã ser condenada 17 anos depois
Harriet Richards tinha apenas 13 anos quando começou a ser vítima de abusos sexuais praticados pela própria irmã mais velha, Jassey Snooks, então com 26 anos. Durante dois longos anos, segundo relatos divulgados pelo Scottish Daily Mail, a adolescente foi submetida a um verdadeiro inferno doméstico, sendo dopada, forçada a consumir álcool e coagida a participar de atos sexuais que eram transmitidos pela internet para desconhecidos.
A traição dentro da própria família
A proximidade familiar tornou o caso particularmente devastador. "Ela não era uma vizinha ou uma amiga da família. Era minha irmã mais velha. Era a pessoa em quem eu mais confiava", afirmou Harriet, que vive na Inglaterra e decidiu tornar pública sua identidade para encorajar outras vítimas a romperem o silêncio. De acordo com seu relato emocionante, os abusos ocorriam quando as duas ficavam sozinhas, com a irmã mais velha convencendo a adolescente de que aquele comportamento era "normal entre irmãs".
Harriet descreveu como passou a viver em constante silêncio e medo durante aqueles anos terríveis. "Fiquei cada vez mais fechada. Aprendi a guardar segredos, mas é exatamente isso que os abusadores querem", declarou a vítima, que levou impressionantes 14 anos para compreender plenamente a gravidade do que havia sofrido. "Era incesto e pedofilia. Reconhecer isso foi como libertar um demônio", confessou ela sobre o processo doloroso de entendimento.
O longo caminho até a denúncia
A decisão de denunciar a própria irmã provocou uma profunda divisão na família. Harriet contou com o apoio fundamental dos pais, Amanda e Jeremy, enquanto Jassey era filha de um relacionamento anterior da mãe. Apenas no mês passado, 17 longos anos após os crimes terem ocorrido, a Justiça britânica finalmente condenou Jassey Snooks, ex-auxiliar de educação especial e atualmente com 44 anos, pelo crime de incitar uma criança à prática de atos sexuais.
A sentença determinou:
- Pena de 16 meses de prisão, suspensa por 18 meses
- Inclusão do nome no registro de agressores sexuais por dez anos
- Participação obrigatória em programa de reabilitação por 30 dias
- Cumprimento de 175 horas de serviço comunitário
Insatisfação com a decisão judicial
Harriet afirmou estar profundamente insatisfeita com a decisão judicial. Para ela, a irmã representa "um perigo para a sociedade" e deveria cumprir pena em regime fechado, considerando a gravidade dos crimes cometidos. A vítima argumenta que a pena suspensa não reflete adequadamente o sofrimento prolongado que ela experimentou durante anos.
Ainda assim, Harriet considerou o fim do processo judicial como uma importante vitória pessoal e o encerramento de uma longa batalha legal que agora lhe permite reconstruir sua própria vida. Hoje com 30 anos, ela vive ao lado do companheiro, Dale, com quem teve um filho atualmente com dez meses de idade.
Reconstrução e superação
Recentemente, Harriet conquistou uma importante vitória pessoal ao se formar como personal trainer, demonstrando sua resiliência e determinação em retomar o controle de sua própria trajetória. "Perdi família, amigos e relacionamentos e, em alguns momentos, perdi a mim mesma. Tive dificuldades para comer, dormir, trabalhar e seguir em frente", declarou ela em comunicado emocionante.
Mas a vítima enfatizou sua transformação: "Me esforcei para ser a melhor versão de mim mesma para o meu filho". E concluiu com uma afirmação poderosa sobre seu processo de cura: "A vergonha e a culpa não são mais minhas", marcando seu rompimento definitivo com o trauma que a acompanhou por tantos anos.
O caso chama atenção para a complexidade dos abusos sexuais intrafamiliares e os desafios que as vítimas enfrentam para denunciar agressores tão próximos, além das dificuldades no sistema judicial para aplicar penas adequadas a crimes desta natureza.