Brasileiro vive entre predadores nas Américas e 'conversa' com onças em jornada selvagem
Lucas Souza, 36 anos, brasileiro natural do Mato Grosso do Sul, é um estudante de biologia que transformou seu sonho em realidade, deixando para trás o trabalho como garçom em uma pousada para seguir os rastros de onças, pumas, harpias e condores. Sua jornada o levou pelas fronteiras da América do Sul, onde ele busca atuar com os gigantes da natureza em um projeto de vida dedicado ao mundo selvagem.
Uma vida "selvagem" e a paciência da natureza
O silêncio na Patagônia Chilena possui uma textura única, preenchida apenas pelo assobio do vento que corta os picos nevados das Torres del Paine. Nesse ambiente, Lucas aprendeu uma lição valiosa: a natureza não se ajusta ao relógio humano; é o homem quem deve aprender a esperar pelo tempo dela. Nascido em Três Lagoas (MS) e criado em fazendas onde seus pais trabalhavam, ele hoje cursa o terceiro semestre de Biologia, vendo o diploma como a sistematização de um conhecimento já adquirido na prática.
A faísca e o início da jornada
A história de Lucas com o mundo selvagem começou na infância, quando ele observava formigas e pássaros enquanto outras crianças brincavam com carrinhos. A inspiração ganhou forma em 2005, ao assistir o biólogo Richard Rasmussen na televisão, o que solidificou seu objetivo. Para se aproximar da fauna, ele aceitou trabalhos como garçom e carregador de malas, usando seu tempo livre para observar guias e embrenhar-se no mato com câmeras e cadernos.
O primeiro encontro: confiança no olhar
No Pantanal, Lucas teve seu primeiro encontro marcante com um macho de onça-pintada a apenas dez metros de distância. O medo inicial deu lugar a uma sensação de respeito mútuo, que ele descreve como uma "conexão" intuitiva. Essa experiência o levou a diversos locais, desde as copas das árvores da Amazônia, em busca de harpias, até as montanhas do Chile, no rastro de pumas e condores-andinos.
A escola da mata e os mentores
Enquanto a faculdade fornece o conhecimento teórico, a mata ensinou Lucas a usar seus sentidos. Com mentores como o peruano Miguel Ajahuana e o veterinário venezuelano Dr. Alexander Blanco, ele refinou a arte do rastreamento, aprendendo a ler diferentes terrenos e comportamentos animais. Essa convivência exige sacrifícios, como horas de imobilidade sob condições adversas, mas Lucas enfatiza a importância da paciência e do respeito pela natureza.
Do rastro ao registro: a ponte para o futuro
Mesmo com uma vasta experiência, Lucas decidiu cursar Biologia aos 36 anos para unir prática e rigor científico. Ele acredita que a ciência transforma intuição em informação comprovada, essencial para a conservação de ecossistemas. Seu sonho agora é levar sua expertise para projetos na África, inspirando novos conservacionistas.
Conselho e persistência
Para aqueles que compartilham sua paixão pela natureza, Lucas oferece um conselho simples: não desistir, respeitar a natureza e o próprio processo. Ele acredita que cada passo contribui para algo maior, e que é possível transformar vontade em realidade. Como um "nômade da natureza", ele continua sua trilha, observando e respeitando o mundo selvagem onde quer que haja um rastro ou um voo.