Santarém registra 147 casos de violência contra a mulher em janeiro, 95 com medidas protetivas
Santarém: 147 casos de violência contra mulher em janeiro

Santarém registra 147 casos de violência contra a mulher em janeiro, 95 com medidas protetivas

O município de Santarém, localizado no oeste do estado do Pará, iniciou o ano de 2024 com números extremamente elevados de ocorrências envolvendo violência contra a mulher. Apenas no mês de janeiro, foram registrados impressionantes 147 atendimentos na Delegacia de Polícia Civil da cidade. Desse total, 95 casos resultaram na solicitação de medidas protetivas de urgência, instrumentos legais destinados a garantir a segurança imediata das vítimas em situação de risco.

Números alarmantes exigem atenção redobrada

Os dados foram confirmados e divulgados pelo superintendente regional da Polícia Civil no Baixo Amazonas, delegado Jamil Casseb. O representante da autoridade policial classificou os números como verdadeiramente alarmantes e que demandam uma atenção redobrada por parte de toda a sociedade civil. Segundo as declarações do delegado, os dados destacam uma realidade preocupante que precisa ser enfrentada com máxima firmeza e determinação.

"É um número que chama bastante atenção e também provoca reflexão para que não tenhamos consequências ainda mais graves, como o feminicídio", alertou o superintendente regional, enfatizando a gravidade da situação e o risco potencial de evolução para crimes mais violentos.

Crescimento das denúncias e subnotificação

De acordo com análises preliminares da Polícia Civil, o crescimento significativo nos registros oficiais pode estar vinculado a dois fatores principais que atuam simultaneamente:

  • O aumento real dos casos de violência doméstica e familiar.
  • Uma maior procura e conscientização das mulheres pelos órgãos de segurança pública.

Para as autoridades policiais, é considerado um aspecto positivo que um número maior de vítimas esteja buscando ajuda especializada, rompendo o ciclo do silêncio e formalizando as denúncias junto aos canais competentes. No entanto, persiste uma preocupação substancial de que os números oficiais ainda não representem a totalidade real dos casos ocorridos, uma vez que muitas situações de violência continuam invisíveis e não reportadas.

"Esse número já alarmante não representa a realidade completa. Sabemos que existem muitos casos que não chegam ao conhecimento da polícia", destacou o delegado Jamil Casseb, reforçando a existência de uma subnotificação crônica.

Tipos de violência e fatores de risco

As ocorrências registradas envolvem diferentes formas e modalidades de agressão contra as mulheres, incluindo violência psicológica, patrimonial e financeira. Entretanto, a violência física tem chamado especial atenção das autoridades policiais, principalmente pelo elevado risco de evolução para casos mais graves e letais, como o feminicídio.

Entre os fatores que aparecem com frequência nos registros e boletins de ocorrência está o consumo excessivo de bebida alcoólica, apontado como um dos elementos catalisadores que desencadeiam e intensificam os conflitos dentro do ambiente familiar e doméstico.

Importância crucial da rede de apoio

A Polícia Civil reforça que o apoio familiar e comunitário é fundamental para que a vítima consiga realizar a denúncia e manter o acompanhamento adequado do caso. O momento exige acolhimento, proteção integral e fortalecimento psicológico da mulher em situação de vulnerabilidade.

A orientação oficial é que familiares, vizinhos, amigos e conhecidos que tenham conhecimento ou suspeita de situações de violência também realizem a denúncia, mesmo que de forma anônima. O registro pode ser feito através dos seguintes canais:

  1. Disque-Denúncia 181.
  2. Telefone de emergência 190, da Polícia Militar.

Em Santarém, o atendimento especializado é realizado pela Delegacia da Mulher. Já nas comunidades rurais ou municípios vizinhos que não contam com uma unidade policial específica, a recomendação é procurar a delegacia mais próxima ou acionar imediatamente a Polícia Militar através do 190.

Apelo urgente das autoridades

A Polícia Civil destaca que quanto mais denúncias forem formalmente registradas, maiores são as chances concretas de interromper o ciclo perverso de violência e evitar desfechos trágicos e irreparáveis. "É importante que as mulheres que vivem esse tipo de situação acionem os órgãos competentes. Não se calem. Existe uma rede de apoio pronta para ajudar", reforçou o superintendente regional Jamil Casseb.

Os dados referentes ao mês de janeiro acendem um alerta vermelho em Santarém e reforçam, de maneira contundente, a necessidade urgente de uma mobilização coletiva e articulada no enfrentamento à violência contra a mulher em todas as suas formas e manifestações.