Amigos defendem caráter de tatuador morto após agressão no carnaval
Amigos do tatuador Vitor Fonseca de Almeida Silva, que faleceu após ser violentamente agredido durante as festividades do carnaval em Nuporanga, interior de São Paulo, estão contestando veementemente a versão apresentada pelo suspeito do crime. O agressor, que se apresentou espontaneamente às autoridades policiais, alegou ter agido após testemunhar o tatuador envolvido em um suposto caso de importunação envolvendo menores de idade.
Defesa da memória do profissional
A publicitária Cindy Guimarães, que mantinha uma amizade de dezesseis anos com Vitor Fonseca, expressou profunda indignação com as acusações. "Eu conheço ele há muito tempo e ele sempre foi uma pessoa extremamente respeitosa, séria, trabalhadora, com um caráter impecável", afirmou Cindy. "É revoltante vê-lo sendo retratado dessa forma, especialmente porque ele não pode se defender ou explicar sua versão dos fatos. Estamos apenas ouvindo a narrativa do agressor."
Segundo relatos dos amigos, o tatuador de 42 anos era conhecido por seu comportamento adequado e seria incapaz de importunar qualquer pessoa, seja adulta ou criança. "Ele nunca se portou de maneira inadequada, nem mesmo em brincadeiras. Essa caracterização é completamente falsa", reforçou a publicitária.
Detalhes do incidente fatal
Vitor Fonseca faleceu na última terça-feira, dia 17, após permanecer dois dias internado em estado grave. O óbito ocorreu em decorrência de um traumatismo craniano sofrido quando ele caiu e atingiu a cabeça no meio-fio da calçada, após receber um soco do suspeito Vitor Manoel, de 25 anos.
O agressor confessou à Polícia Civil ter desferido o golpe, mas justificou sua ação alegando que presenciou o tatuador importunando menores, incluindo uma criança. Diante das circunstâncias contraditórias, as investigações foram ampliadas para examinar a conduta do tatuador através de depoimentos testemunhais e análise de gravações de câmeras de segurança.
Investigação em andamento
As primeiras imagens obtidas pelas autoridades mostram Vitor Fonseca conversando com uma menina momentos antes da agressão, mas, segundo a Polícia Civil, essas gravações são insuficientes para conclusões definitivas sobre o ocorrido. A análise continua para determinar a natureza da interação e o contexto completo do episódio.
Em comunicado oficial, a família do tatuador manifestou "profunda indignação" com a divulgação do depoimento do agressor. O texto familiar ressalta que "absolutamente nada atenua ou justifica a violência praticada" e alerta sobre o perigo de normalizar a justiça pelas próprias mãos.
Posicionamento das defesas
Enquanto a família e amigos buscam preservar a honra de Vitor Fonseca, a defesa do agressor Vitor Manoel mantém suas alegações. O advogado Rafael Ferro, representante legal do suspeito, emitiu nota afirmando que "a conduta de Vitor não foi movida por dolo homicida, mas sim fruto de uma circunstância fática excepcional que resultou em uma tragédia não desejada".
A Defesa expressou confiança nas investigações policiais e no trabalho do Poder Judiciário, aguardando que o processo judicial esclareça completamente os fatos. O caso segue sob apuração detalhada, com a Polícia Civil coletando evidências e ouvindo testemunhas para reconstituir os eventos que levaram à morte do tatuador durante as celebrações carnavalescas em Nuporanga.