Políticos condenados por corrupção buscam retorno à cena política em 2026
Políticos condenados por corrupção buscam retorno em 2026

Políticos condenados por corrupção buscam retorno à cena política em 2026

Uma onda de retorno está sacudindo o cenário político brasileiro, com diversas figuras públicas que foram condenadas por crimes de corrupção buscando retomar suas carreiras eleitorais. Após longos períodos de inelegibilidade, esses personagens abrem uma verdadeira corrida pela redenção pública e política, contando com mudanças legislativas e apoio partidário para viabilizar suas candidaturas.

Arruda lidera pesquisas no Distrito Federal

O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda se tornou um fenômeno político peculiar. Em 2009, ele foi filmado recebendo um pacote de dinheiro, teve o mandato cassado, foi preso e condenado por corrupção. Recentemente, em uma cerimônia concorrida, Arruda se filiou ao PSD, recebendo o apoio entusiástico do presidente do partido, Gilberto Kassab, além de senadores, deputados e lideranças locais.

"Hoje o PSD começa a se preparar para governar Brasília", declarou Kassab durante o evento, destacando que o novo correligionário era "indiscutivelmente" uma das pessoas mais bem preparadas para a política e "que melhor conhece os desafios que o Brasil tem pela frente".

O entusiasmo encontra respaldo em números: na última sondagem de intenção de votos realizada pelo instituto Paraná Pesquisas, no fim do ano passado, Arruda aparece liderando a disputa pelo Palácio do Buriti, mesmo após mais de uma década afastado da vida pública. Para viabilizar sua candidatura, no entanto, o ex-governador de 72 anos precisa vencer uma batalha jurídica pela elegibilidade, já que em 2014 também foi condenado por improbidade administrativa.

Mudanças na Lei da Ficha Limpa

Uma alteração na Lei da Ficha Limpa aprovada pelo Congresso no ano passado modificou a forma de contagem do prazo da inelegibilidade, que passou a ser de oito anos considerados a partir da decisão de um tribunal colegiado. Para a defesa de Arruda, esse prazo vence em julho, mas a palavra final caberá à Justiça Eleitoral.

"Quero resgatar a minha história, botar a cara a tapa e poder mostrar o outro lado da moeda do massacre que vivi", afirma o ex-governador, demonstrando determinação em retornar à política.

Parcerias e alianças estratégicas

Enquanto aguarda decisão judicial, Arruda já costura acordos políticos. O PSD fechou parceria com o Avante, cujo presidente é o também ex-senador Gim Argello. Assim como Arruda, Argello foi condenado por corrupção, cumpriu três anos de prisão em regime fechado e agora planeja ser candidato a vice-governador na chapa do próprio Arruda.

A lista de políticos que buscam retorno não para por aí. Em Brasília, o ex-ministro e ex-governador Agnelo Queiroz pretende disputar as eleições de outubro. O petista foi condenado por abuso de poder político e, em 2017, preso e acusado de superfaturamento na construção do Estádio Mané Garrincha. Após devolver 500 mil reais aos cofres públicos por improbidade administrativa, Queiroz agora mira uma vaga de deputado federal.

PT resgata antigas estrelas

O Partido dos Trabalhadores está empenhado em resgatar antigas figuras que sucumbiram por envolvimento em escândalos. A maior delas é José Dirceu, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro a mais de 39 anos de prisão. Ex-chefe da Casa Civil do primeiro governo Lula, Dirceu cumpriu parte de sua pena, foi beneficiado com a anulação dos processos da Lava-Jato, recuperou sua elegibilidade em 2024 e agora, aos 79 anos, pretende retomar a carreira política como candidato a deputado federal por São Paulo.

O apoio do presidente Lula é entusiástico. O petista já recebeu o antigo auxiliar no Palácio do Planalto, posou para fotos ao lado dele e não economiza elogios: "Eu sei o quanto ele foi solidário ao que passei", explicou o presidente, agradecendo o apoio recebido do ex-ministro durante o período em que ele próprio foi preso por corrupção.

Outros nomes em cena

A lista de petistas que miram uma vaga no Parlamento inclui outros personagens famosos:

  • Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido, que aos 70 anos visita cidades de Goiás distribuindo um livreto com sua versão dos escândalos
  • João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara no primeiro governo Lula, que estudou direito enquanto cumpria sentença e agora quer voltar como representante de São Paulo
  • André Vargas, ex-vice-presidente da Câmara no governo Dilma, que havia deixado a política após cumprir três anos e seis meses de prisão, mas revisou seus planos após anulação de sentenças da Lava-Jato

MDB também na jogada

O MDB, partido que esteve no epicentro de vários escândalos nas últimas duas décadas, torce pelo resgate de alguns antigos expoentes. Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara cassado em 2016, ainda não escolheu o partido pelo qual pretende retornar ao Congresso, mas já anunciou Minas Gerais como seu novo domicílio eleitoral. Condenado a dezesseis anos de prisão por corrupção, Cunha vai recuperar os direitos políticos apenas em 2027, mas acredita que esse detalhe não será empecilho.

Casos emblemáticos

Em situação jurídica ainda indefinida, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral foi um dos poucos políticos a admitir seus malfeitos publicamente. "Isso é um vício", disse em depoimento, revelando que a tradição da época era cobrar propina de 10% a 30% sobre obras, mas que ele cobrava apenas 5%. Condenado a mais de 435 anos de prisão, Cabral cumpriu seis anos em regime fechado, foi beneficiado pela anulação dos processos da Lava-Jato e agora aguarda julgamento no STF que pode devolver sua elegibilidade.

Enquanto isso, o ex-governador cuida da campanha do filho, que disputará uma vaga de deputado estadual, e mantém presença nas redes sociais, lembrando as realizações de seu governo e a parceria histórica com o presidente Lula.

Um novo capítulo na política brasileira

Este movimento de retorno em massa de políticos condenados por corrupção marca um capítulo peculiar na história política brasileira. Com mudanças na legislação, anulações de processos e apoio partidário, figuras que há pouco tempo eram consideradas politicamente mortas ressurgem com força total, prontas para disputar o voto popular novamente.

A Justiça Eleitoral terá papel crucial nos próximos meses, decidindo sobre a elegibilidade de cada um desses candidatos. Enquanto isso, os partidos políticos demonstram pragmatismo ao abraçar essas figuras polêmicas, apostando que o eleitorado brasileiro está disposto a perdoar e dar uma segunda chance a quem já foi condenado por crimes contra a administração pública.