Mulher atropelada pelo ex-marido em Manguinhos desabafa sobre anos de violência e falta de paz
"Eu não tenho paz, a minha família inteira não tem paz". Esse é o desabafo emocionado de uma contadora de 28 anos, que sofreu ferimentos após ser atropelada pelo ex-marido ao sair de um bloco de Carnaval em Manguinhos, na Serra, região da Grande Vitória, no Espírito Santo, na terça-feira, 17 de fevereiro. O suspeito fugiu do local e permanece foragido, sem ter sido preso até o momento.
Detalhes do atropelamento na rodovia ES-010
O atropelamento ocorreu na rodovia ES-010, próximo à Praia da Baleia. Segundo o relato da vítima, que não será identificada por questões de segurança, o ex-marido, de quem ela se separou há dois anos, acelerou o carro que dirigia e colidiu intencionalmente contra a motocicleta onde ela estava acompanhada de um amigo. "A gente estava saindo de Manguinhos, eu vi o carro dele vindo de longe. Ele chegou perto e mandou a gente descer da moto. A gente não desceu, meu amigo acelerou para tentar fugir e a perseguição começou. Um pouco mais na frente, ele conseguiu alcançar a gente e jogou o carro em cima", narrou a contadora, ainda abalada pelo ocorrido.
Após a colisão, a jovem e o amigo caíram no asfalto, e ela relata que por pouco o homem não passou com o veículo por cima dos dois, em uma cena descrita como aterrorizante. O suspeito fugiu antes da chegada da polícia e do socorro, deixando as vítimas feridas e em estado de choque.
Ferimentos graves e impacto na vida da vítima
As vítimas foram atendidas por uma equipe do Corpo de Bombeiros e transportadas para o Hospital Jayme Santos Neves, na Serra. A contadora sofreu múltiplos ferimentos, com o corpo coberto de ralados e dificuldades de movimentação. "Cena de terror, não desejo isso para ninguém. Meu corpo está todo em carne viva. Graças a Deus não quebrei nenhum osso. Não sei o que é pior, ter quebrado um osso ou estar com o corpo assim. Não tem posição para dormir, pra virar, pra nada", desabafou ela, destacando a dor física e emocional.
Devido aos ferimentos, a mulher precisará ficar afastada do trabalho por pelo menos uma semana, impactando sua rotina e bem-estar. Ela expressou esperança por justiça, afirmando: "Eu espero que ele seja encontrado, porque o lugar que ele merece é a prisão. Ele precisa pagar por tudo que ele fez. Eu só quero que ele seja preso para que a gente consiga seguir a nossa vida".
Histórico de violência e perseguição contínua
A contadora revelou que se separou há dois anos após sofrer violência física e psicológica durante o casamento. Desde o fim do relacionamento, ela tem sido perseguida pelo ex-marido e possui uma medida protetiva contra ele, mas isso não impediu os ataques. "São dois anos que estou separada dele. No primeiro ano da separação, me mudei quatro vezes, porque ele sempre achava meu endereço e me perseguia", contou, ilustrando o ciclo de medo e insegurança que vive.
Ela enfatizou que a violência não se limitou ao episódio recente, mas é parte de um padrão de abuso que tem afetado sua vida e a de sua família por anos, reforçando a necessidade de ações mais efetivas de proteção.
Investigação em andamento e apelo por informações
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil do Espírito Santo, através da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM). Até agora, nenhum suspeito foi detido, e as autoridades buscam pistas para localizar o agressor.
A população pode contribuir com informações de forma anônima por meio do Disque-Denúncia 181. As denúncias podem ser feitas:
- Por telefone: 181
- Pelo site: www.disquedenuncia181.es.gov.br
- Pelo WhatsApp: (27) 99253-8181
Em todos os canais, o anonimato é garantido, e as informações recebidas são rigorosamente investigadas para auxiliar na resolução do caso e na proteção de outras vítimas potenciais.