
Imagine o calor abafado de Palmas, capital do Tocantins, num dia comum que terminaria em tragédia. Aos 68 anos, Edson Pereira da Silva não aceitou o fim do relacionamento — e decidiu que se não podia tê-la, ninguém mais teria.
O que se seguiu foi uma cena de horror. Durante uma discussão acalorada na rua, ele entrou no carro, um Hyundai HB20 prata, e acelerou deliberadamente contra a ex-companheira. O impacto foi brutal. Testemunhas ficaram em choque, descrevendo a cena como "assustadora" e "de filme de terror".
E não foi um acidente, longe disso. A polícia descobriu que ele deu ré e tentou atropelá-la novamente — uma frieza que chocou até investigadores experientes. A vítima, que preferiu não ter o nome divulgado, sobreviveu por pouco, com múltiplas fraturas e traumatismo craniano.
Justiça é feita: 14 anos atrás das grades
O julgamento, que aconteceu na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Palmas, foi rápido e contundente. O Ministério Público apresentou provas irrefutáveis: imagens de câmeras de segurança, testemunhas oculares e até o depoimento da própria vítima, que ainda se recupera fisicamente e psicologicamente.
O promotor foi incisivo: "Isso não foi um crime passional. Foi uma tentativa de assassinato com requintes de crueldade". O júri concordou — e condenou Silva a 14 anos e 4 meses de reclusão inicialmente em regime fechado.
Ah, e tem mais: ele terá que pagar uma multa de 10 salários mínimos (cerca de R$ 14.000) e indenizar a ex-companheira em valor que será definido posteriormente. Justiça sendo feita, ainda que tardiamente.
O que isso revela sobre a violência contra a mulher?
Cases como esse não são isolados — infelizmente. Eles mostram o quanto a posse ainda domina certas mentalidades. "Se não é minha, não será de mais ninguém" parece um lema macabro que persiste em 2025.
Especialistas em violência doméstica alertam: os momentos pós-término são os mais perigosos para mulheres. E o pior? Muitas ainda relutam em denunciar por medo ou dependência emocional.
O caso de Palmas serve como alerta. E também como esperança: a Justiça está punindo com rigor cada vez maior esses crimes. A mensagem é clara — violência contra a mulher não será tolerada.