Avô e companheira presos por suspeita de tortura e morte de neta de 3 anos em Ribeirão Preto
Um caso chocante de violência infantil abalou a cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, resultando na prisão preventiva de um avô e sua companheira. José dos Santos, de 42 anos, e Karen Tamires Marques, de 33 anos, são suspeitos de envolvimento na morte da neta de José, Sophia Emanuelly de Souza, de apenas 3 anos de idade.
Detalhes trágicos do caso
A menina foi levada pelo avô à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Avenida Treze de Maio na noite de terça-feira (17), mas, segundo o pediatra de plantão, ela já estava morta há pelo menos 12 horas quando deu entrada no local. O corpo da criança apresentava hematomas em diferentes colorações, além de sinais claros de desnutrição e perda capilar, indicando que as agressões eram frequentes e prolongadas.
De acordo com o advogado de defesa de José, Luís Felipe Rizzi Perrone, o avô chegou a perceber os hematomas na neta e questionou a companheira sobre as agressões. Karen teria alegado que a criança se machucou brincando ou caiu, versão que não convenceu José, que passou a repreendê-la. No entanto, a situação escalonou rapidamente para um desfecho trágico.
Depoimentos e investigações
Em depoimento à Polícia Civil, Karen confessou que não gostava de Sophia e admitiu ter agredido a menina porque ela não queria comer. Ela chegou a dizer que esganou a criança, o que reforça a suspeita de que tenha causado a morte. Já José, que tinha a guarda da neta há dois anos, é suspeito de ser coautor do crime por permitir que a situação de violência ocorresse.
O delegado seccional Sebastião Vicente Picinato destacou que José faltou com a verdade ao afirmar que a criança havia vomitado durante o trajeto até a UPA, tentando criar uma situação para espiar a culpa. Isso reforça a ideia de que ele participou do crime, segundo as autoridades.
Prisão e possíveis acusações
José e Karen foram presos em flagrante na quarta-feira (18) e, no mesmo dia, tiveram a prisão preventiva decretada após audiência de custódia. A Polícia Civil avalia se eles responderão por:
- Tortura e homicídio
- Tortura que teve como resultado a morte
Ambas as condutas são previstas na Lei dos Crimes Hediondos, o que pode resultar em penas severas.
O advogado de José afirmou que o cliente trabalhava o dia todo em uma farmácia e que Karen era a responsável por alimentar a criança. Ele também mencionou que José buscou ajuda de terceiros para orientações sobre alimentação, mas que a situação se agravou rapidamente.
Impacto e reflexão
O delegado Picinato ressaltou a gravidade do caso, afirmando que "uma violência contra uma criança, independentemente do resultado de morte, é uma agressão que viola todos os direitos humanos, é uma agressão à sociedade". O crime chocou a comunidade local e levantou questões sobre a proteção de crianças vulneráveis.
As investigações continuam para apurar todos os detalhes do caso, incluindo a possível omissão do poder público. Enquanto isso, José e Karen aguardam na prisão o andamento do processo judicial, que promete ser acompanhado de perto pela sociedade.