
Não é todo dia que se vê números assim, mas a verdade é que eles chegam como um misto de alívio e preocupação. Alívio pela ação, preocupação pela necessidade dela. Durante todo o mês de agosto – aquele conhecido como Agosto Lilás –, as delegacias de Minas Gerais meteram a mão na massa de uma forma que deu o que falar.
O balanço final? Quase duzentos e cinquenta agressores foram tirados de circulação. Digo, 247, para ser exato. Uma operação de grande porte que não deixou pedra sobre pedra.
Uma Força-Tarefa sem Tréguas
O que mais impressiona é a dimensão do trabalho. A gente fala em 'operação' e às vezes não imagina o que está por trás. Foram mais de 14 mil medidas protetivas concedidas pela Justiça apenas no primeiro semestre deste ano. Quatorze mil! Um número assustador, que pinta um retrato sombrio da realidade em muitos lares.
E a polícia partiu justamente desse ponto: a lista de mandados que estavam por cumprir. Eles pegaram esses papéis e foram atrás. Não era sobre prender por prender, era sobre fazer valer a decisão de um juiz, a coragem de uma mulher que foi lá e denunciou.
Os Números que Impressionam
- 247 prisões efetivadas em operação de combate à violência doméstica;
- 14.008 medidas protetivas concedidas pela Justiça mineira apenas em 2025;
- Foco na execução de mandados de prisão já expedidos;
- Ação integrada em todo o estado de Minas Gerais.
O delegado-geral da Polícia Civil, Wagner Pinto, soltou um dado que é de matar: em alguns casos, o sujeito já tinha mais de dez medidas protetivas contra ele. Dez! Isso não é falha do sistema, é insistência no crime. É achar que a lei não pega.
Pois é, a lei pegou. E com força.
Além das Prisões: A Rede de Proteção
Claro que prender é crucial – tira o perigo imediato de circulação. Mas a parada é mais complexa. O Agosto Lilás não é só sobre prender, é sobre lembrar que existe uma rede de apoio. Que a Lei Maria da Penha existe e precisa ser usada.
A campanha serve como um megafone gigante, gritando para as mulheres que elas não estão sozinhas. Que a denúncia é o primeiro passo, e que depois dela vem uma escada de proteção – que inclui a polícia, a Justiça, e até abrigo, se for preciso.
O trabalho agora é garantir que essas prisões virem processos que virem condenações. E que, com o agressor longe, a vítima consiga reconstruir a vida. Porque no fim das contas, é disso que se trata: dar uma chance para recomeçar.