
Parece que finalmente acenderam a luz vermelha no que tange à proteção das crianças em São Vicente. E não foi por acaso — a comoção gerada por um único vídeo nas redes sociais fez ecoar nas paredes da Câmara Municipal um assunto que, convenhamos, já deveria ser tratado com muito mais urgência.
Na última segunda-feira, algo mudou. Os vereadores aprovaram, em primeira discussão, o Projeto de Lei 4.725/2025. Uma proposta que, nas entrelinhas, diz: «chega». Chega de expor crianças a conteúdos que roubam sua inocência.
Mas o que motivou essa guinada?
Tudo começou com a youtuber Nathalia Blagevitch, que não se conteve ao flagrar uma cena perturbadora: uma menina, ainda pequena, dançando de forma claramente sensualizada na calçada — enquanto adultos gravavam e aplaudiam. Ela denunciou, o vídeo viralizou, e a comoção pública fez o resto.
E não parou por aí. A própria Nathácia compareceu à sessão, emocionada. «Não podemos normalizar isso», discursou, com a voz embargada. «Criança tem que brincar, pular corda, correr — não performar para adulto».
E o que a lei propõe, afinal?
Nada modesto, diga-se. O texto, de autoria do presidente da Casa, Adilson Dias (PL), quer:
- Proibir a participação de menores em eventos ou produções que simulem comportamentos adultos
- Multar estabelecimentos — sejam escolas, espaços culturais ou até eventos privados — que permitirem ou incentivarem a adultização infantil
- Criar um canal de denúncias específico para casos do tipo
Não é pouco. E a multa? Pode chegar a R$ 5 mil — valor que dobra em caso de reincidência. Uma mensagem clara: ou se respeita, ou paga.
E agora, o que falta?
Agora, o projeto segue para segunda votação. Se aprovado novamente, vai direto para sanção — ou veto — do prefeito Kayo Amado (PSDB). E aí, hein? Vai encarar?
Enquanto isso, a Nathalia comemora. «É um primeiro passo», diz, cautelosa mas esperançosa. «Mas é um passo enorme».
E você? Acha que leis assim resolvem — ou é só mais uma para engordar o diário oficial?