Caixão com Lixo no Lugar de Idosa Indígena: Família Vive Pesadelo em Tocantins
Caixão com lixo no lugar de idosa indígena choca TO

Era para ser um momento de despedida solene, de respeito à uma vida que se foi. Mas o que deveria ser um ritual sagrado de passagem transformou-se num pesadelo de horror e profunda indignação. A família da idosa indígena Maria Januária Karajá, de 87 anos, vivia o luto tranquilo em Araguaína, norte do Tocantins, quando o inacreditável aconteceu.

Na manhã de sábado, 30 de agosto, parentes aguardavam o corpo da matriarca para o velório. A funerária Sol Nascente, contratada para o serviço, entregou o caixão. Só que algo estava terrivelmente errado. Um cheiro forte e estranho exalava da urna. Ao abri-la, a família deparou-se com uma cena dantesca: o caixão estava abarrotado de lixo, entulho de construção e restos de materiais inservíveis. O corpo de Dona Maria? Em lugar nenhum.

— Foi um choque. Uma falta de respeito sem tamanho, uma cena que jamais imaginei ver — desabafa o genro, Valteir Carvalho, com a voz ainda embargada pela revolta. — Minha sogra merecia dignidade, não isso. Isso aqui é desumano.

O Desespero da Busca e a Revelação Aterrorizante

O que se seguiu foi um surto de angústia coletiva. Onde estava o corpo de Dona Maria? Enquanto a família entrava em desespero, a funerária alegava, inicialmente, que poderia ter havido uma troca. Troca? Como se troca o corpo de uma pessoa por um monte de detritos?

Horas mais tarde, a verdade veio à tona, mas não trouxe alívio. O corpo da idosa havia sido, na verdade, enviado para outra cidade — Miracema do Tocantins, a mais de 200 km dali. A funerária local, que deveria ter feito o translado, simplesmente enviou o caixão errado. Um erro grosseiro, inexplicável, que deixou uma família inteira à beira de um colapso emocional.

— É como se tivessem roubado dela o direito de uma despedida digna — comenta uma vizinha, que preferiu não se identificar. — Todo mundo aqui está chocado. Como pode acontecer uma coisa dessas?

Além do Erro: A Violação Simbólica e Cultural

Para além do erro logístico grotesco, o episódio carrega um peso simbólico devastador, especialmente por se tratar de uma mulher indígena. A comunidade Karajá, da qual Dona Maria fazia parte, vive um luto coletivo marcado pelo desrespeito.

Não foi "apenas" um equívoco administrativo. Foi uma violação do luto, um atentado contra a memória de uma anciã. Algo que fere qualquer princípio de civilidade, mas que reverbera com ainda mais crueldade em contextos culturais tradicionalmente marginalizados.

A funerária Sol Nascente se pronunciou, admitindo o erro e atribuindo-o a uma "falha humana no processo de identificação". Prometeu apurar o caso e tomar providências. Mas, cá entre nós, desculpas parecem pouco diante de uma cena tão aterradora.

O caso foi registrado como "inventário de ocorrência" na Delegacia de Polícia de Araguaína, e a família não descarta tomar medidas legais. Afinal, como seguir em frente depois de uma cena dessas?

Às vezes, a incompetência beira a crueldade. E é difícil imaginar um exemplo mais claro disso.