Suspeito confessa assassinato de estudante em Minas Gerais após prisão em trem de carga
Ítalo Jeferson da Silva, de 43 anos, confessou ter assassinado a estudante de psicologia Vanessa Lara de Oliveira Silva, de 23 anos, após ser preso na quinta-feira, 12 de fevereiro. Segundo a Polícia Militar, o suspeito afirmou que escolheu a vítima de forma aleatória, sem planejamento prévio, e não demonstrou arrependimento ao relatar os detalhes do crime.
Desaparecimento e descoberta do corpo
Vanessa Lara de Oliveira Silva morava em Pará de Minas e trabalhava no Sistema Nacional de Emprego, em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ela desapareceu na tarde de segunda-feira, 9 de fevereiro, após sair do trabalho. O corpo da jovem foi encontrado no dia seguinte em uma área de mata no trajeto que ela costumava fazer para retornar à cidade onde vivia. O sepultamento ocorreu na quarta-feira, 11 de fevereiro.
A perícia técnica identificou indícios claros de violência sexual e apontou que a causa da morte foi estrangulamento, possivelmente utilizando o cabo de energia do notebook da vítima. Objetos pessoais de Vanessa, incluindo mochila, roupas, notebook e celular, foram apreendidos pelas autoridades para análise forense.
Prisão dramática em trem de carga
A prisão do suspeito ocorreu em Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste de Minas Gerais, após uma denúncia anônima informar que ele estava escondido em um vagão de trem de carga que saía de Juatuba. A Polícia Militar interceptou a locomotiva quando ela parou na cidade. Ao perceber a presença dos agentes, Ítalo tentou fugir pulando do vagão com o trem ainda em movimento, mas foi rapidamente contido pelos policiais.
Com o suspeito, os agentes encontraram roupas, produtos de higiene pessoal e uma faca. Segundo relatos da PM, ele afirmou que fugia sem destino definido, apenas tentando escapar das autoridades.
Histórico criminal do acusado
De acordo com informações do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Ítalo Jeferson da Silva já possui condenações anteriores por estupro, tráfico de drogas, furto e roubo. Ele cumpria pena em regime semiaberto domiciliar no momento do crime. Familiares relataram à polícia que ele chegou em casa sujo de barro, com arranhões visíveis e manchas de sangue nas roupas.
Segundo o boletim de ocorrência, o suspeito telefonou para parentes e confessou o crime antes de deixar a cidade. Amigos e familiares de Vanessa afirmam categoricamente que a jovem não tinha qualquer ligação prévia com o suspeito, reforçando a aleatoriedade do ataque.
Busca desesperada e declaração sobre feminicídio
Após o desaparecimento de Vanessa, seu irmão, Matheus Oliveira, iniciou buscas por conta própria. Ele percorreu mais de dez quilômetros a pé durante a madrugada, analisando mapas detalhadamente e refazendo meticulosamente o trajeto que a irmã costumava fazer. Segundo seu relato, contou principalmente com a ajuda solidária de moradores da região.
Dois voluntários encontraram inicialmente uma calça jeans feminina suja de barro na vegetação. Pouco depois, localizaram o corpo da estudante e acionaram imediatamente a Polícia Militar, que isolou a área para a realização da perícia técnica.
Aline Gomes, amiga próxima da família, declarou publicamente que a jovem foi vítima de feminicídio. "Ela estava simplesmente voltando do trabalho. Foi morta porque era mulher", afirmou com emoção, destacando a natureza de gênero do crime.
Registros em câmeras de segurança
Câmeras de segurança registraram Vanessa caminhando por ruas de Juatuba após sair do trabalho. As imagens mostram a jovem passando inicialmente por locais movimentados e, posteriormente, por áreas com menor circulação de pessoas, o que pode ter facilitado o ataque.
Investigações em andamento
O caso segue sob investigação detalhada da Polícia Civil, que trabalha ativamente na consolidação das provas para encaminhamento ao Ministério Público. As autoridades buscam reconstituir minuciosamente todos os eventos que levaram ao trágico desfecho.