Supersalários do Judiciário crescem 49% e STF decide sobre corte legislativo
Supersalários do Judiciário sob julgamento no STF

Elite do funcionalismo público acumula regalias milionárias enquanto custos disparam

Uma casta privilegiada dentro do funcionalismo público brasileiro, composta principalmente por juízes e advogados públicos, desfruta de uma série de benefícios financeiros que elevam suas remunerações anuais para patamares extraordinários. Com renda média de R$ 685 mil por ano, 75% dos juízes e 57% dos advogados públicos integram agora o topo da pirâmide de renda do país, ocupando o segmento mais restrito e próspero da sociedade brasileira.

Regalias que transformam salários em supersalários

Os números revelam uma realidade de privilégios quase incompreensíveis para a maioria dos brasileiros. A remuneração básica deste grupo já é dez vezes maior que a de dois terços do funcionalismo, que recebe em média R$ 5 mil mensais. Mas são as regalias adicionais, anabolizadas com dinheiro dos impostos, que realmente transformam esses vencimentos em supersalários.

Entre os benefícios mais notáveis estão:

  • Licenças vendidas: Em 2024, oitenta pessoas converteram dias de repouso em dinheiro, embolsando meio milhão de reais cada uma
  • Pagamentos retroativos: 17.695 casos receberam mais de R$ 500 mil cada, com uma dúzia em São Paulo e Minas Gerais levando R$ 1 milhão
  • Licença-compensatória: 10.700 beneficiários dividiram R$ 1 bilhão nos últimos dois anos
  • Licença-prêmio: Um morador do Rio converteu três meses de descanso em R$ 642.500
  • Serviço extraordinário: Em Minas Gerais, 944 pessoas receberam mais de R$ 100 mil cada em um único ano

Crescimento explosivo dos custos

O problema está se agravando em velocidade alarmante. Segundo o deputado federal Pedro Paulo Carvalho Teixeira (PSD-RJ), coordenador de grupo de trabalho sobre reforma administrativa, os supersalários no Judiciário cresceram impressionantes 49% em 2024. Os custos saltaram de R$ 7 bilhões em 2023 para R$ 10,5 bilhões no ano seguinte.

Este aumento na folha de pagamentos da Justiça foi quase dez vezes maior que a inflação do período, que ficou em 4,83% na média do IPCA/FGV. O crescimento desproporcional destes gastos representa um desafio significativo para as finanças públicas e levanta questões sobre a sustentabilidade do sistema.

Opacidade e complexidade dos dados

A transparência sobre esses gastos é limitada. Para estudar como 92 órgãos do Judiciário pagaram R$ 50 bilhões a juízes entre janeiro de 2018 e março de 2025, três organizações não governamentais precisaram agrupar 3.300 nomenclaturas distintas das rubricas de regalias financeiras, resumindo-as em apenas sessenta categorias compreensíveis.

Esta complexidade burocrática dificulta o controle social e a fiscalização adequada dos gastos públicos, criando um ambiente propício para a manutenção e expansão dos privilégios.

STF decide futuro dos penduricalhos

No próximo dia 25, o Supremo Tribunal Federal vai julgar a suspensão da montanha de penduricalhos de onde nascem os supersalários, determinada pelo juiz Flávio Dino. O magistrado argumenta que está ocorrendo uma "violação massiva" à Constituição brasileira.

Se confirmada a sentença, o tribunal deixará ao Legislativo a decisão sobre quando, quanto e como será o corte "na carne" do Judiciário e do Ministério Público. Esta decisão histórica poderá redefinir os limites dos benefícios financeiros no serviço público brasileiro.

As organizações Transparência Brasil, Republica.org e Movimento Pessoas à Frente, que realizaram os levantamentos com base em dados do Conselho Nacional de Justiça e do Imposto de Renda, alertam para a necessidade urgente de reformas que garantam maior equidade no funcionalismo público.