Ex-reitor da UERR nega acusações de destruir provas em investigação de desvio milionário
O ex-reitor da Universidade Estadual de Roraima (UERR), Regys Odlare Lima de Freitas, que ocupou o cargo de reitor desde 2015 até janeiro de 2024, negou formalmente nesta sexta-feira, dia 13, as graves acusações de que estaria envolvido na destruição de provas relacionadas a um suposto desvio milionário de recursos públicos na instituição de ensino superior. O Ministério Público do estado de Roraima já protocolou um pedido de prisão preventiva contra o ex-gestor, fundamentado em investigações detalhadas sobre supostas irregularidades financeiras.
Defesa alega impossibilidade técnica de adulteração
Em sua defesa, Regys Freitas classificou como "tecnicamente impossível" a acusação de que teria adulterado dados no Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças (Fiplan) da universidade. O ex-reitor argumentou que todos os exercícios financeiros compreendidos entre os anos de 2016 e 2022 já passaram por auditorias regulares e foram oficialmente encerrados, o que, segundo sua perspectiva, impediria qualquer tipo de alteração retroativa nos registros contábeis. "Confio plenamente na competência da Justiça para analisar todos os detalhes deste caso e diferenciar a verdade de narrativas criadas para desviar o foco da real gestão da Universidade", declarou Freitas em pronunciamento oficial.
Investigação do Gaeco contradiz versão do ex-reitor
Contudo, as investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apresentam uma versão completamente divergente. Os promotores do Ministério Público sustentam no pedido de prisão que a adulteração de dados financeiros históricos está ocorrendo atualmente, com modificações sistemáticas nos registros do sistema. Segundo as evidências coletadas, as alterações começaram a ser realizadas em dezembro de 2025, imediatamente após o início dos interrogatórios policiais sobre o caso, com o objetivo claro de mascarar superfaturamentos em contratos públicos investigados.
MP rebate alegação de falta de acesso administrativo
A defesa de Regys Freitas enviou uma nota oficial afirmando que o ex-reitor não possui mais senhas ou qualquer tipo de acesso administrativo à universidade desde janeiro de 2024, quando deixou formalmente o cargo. No entanto, o Ministério Público apresentou provas concretas que contradizem essa alegação. A investigação identificou que servidores da UERR continuam realizando alterações no sistema financeiro por ordem direta do investigado, mantendo uma rede de influência dentro da instituição.
Mais grave ainda, o MP anexou à denúncia documentos que comprovam a criação de um procedimento administrativo falso e retroativo por parte de Regys Freitas, mesmo após sua saída da reitoria. O objetivo desse documento forjado seria tentar "consertar" irregularidades identificadas em contratos passados. A fraude foi descoberta porque o próprio ex-reitor entregou cópias desse processo à Polícia Civil, alegando que se tratava de uma "reconstituição de autos" que teriam supostamente desaparecido dos arquivos universitários durante uma intervenção governamental.
Atual gestão da UERR desconhece processos fraudulentos
O atual reitor da Universidade Estadual de Roraima, ao ser questionado sobre o caso, enviou um ofício oficial informando que desconhecia completamente o processo entregue por Regys Freitas às autoridades policiais. "Ficando evidente ao meu juízo que o anterior Reitor da nossa Instituição de Ensino Superior continua interferindo de forma desautorizada na atual gestão desta Universidade Pública", declarou a atual reitoria da UERR em documento anexado à denúncia do Ministério Público.
Universidade mantém sindicâncias administrativas
A UERR emitiu um comunicado esclarecendo que possui sindicâncias administrativas em andamento para apurar os fatos com rigor. Segundo a instituição, os procedimentos visam investigar possíveis desvios de conduta de maneira transparente, com resultados a serem divulgados em estrito respeito aos prazos legais estabelecidos. A denúncia do MP aponta que a organização criminosa investigada não depende apenas do ex-reitor, mas opera através de uma rede extensa de servidores que permanecem em seus cargos na universidade.
O caso envolve valores que podem chegar a R$ 15 milhões em contratos superfaturados, conforme investigações anteriores do Ministério Público que já haviam denunciado Regys Freitas e empresários por desvio de recursos públicos. As investigações continuam em andamento, com novas revelações esperadas nas próximas semanas conforme avançam as análises dos sistemas financeiros e a coleta de depoimentos.



