Record paga R$ 400 mil ao MPF após informar mãe ao vivo sobre morte da filha
Record paga R$ 400 mil por erro em programa ao vivo

Record encerra inquérito com MPF após episódio traumático no Cidade Alerta

A TV Record formalizou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público Federal (MPF), encerrando um inquérito civil que investigava a emissora desde 2020. O caso remonta a um episódio particularmente chocante do programa Cidade Alerta, quando uma mãe foi informada ao vivo, durante a transmissão, que sua filha havia sido assassinada.

Valor de R$ 400 mil será destinado a fundo de direitos difusos

Como parte do acordo, a Record se comprometeu a pagar R$ 400 mil por danos morais coletivos. Este valor será integralmente destinado ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, mecanismo que financia projetos voltados à proteção de interesses coletivos da sociedade.

Além da compensação financeira, a emissora assumiu compromissos substantivos com a ética editorial. O TAC estabelece que a Record deve reforçar "o cuidado com as práticas editoriais e procedimentos internos, destinados ao respeito à dignidade humana, à imagem, à honra e à intimidade dos cidadãos".

Episódio ocorreu em maio de 2020 durante programa policial

O inquérito do MPF foi instaurado para apurar possíveis ilegalidades em uma edição do Cidade Alerta transmitida em maio de 2020. Durante o programa, o advogado de um suspeito confirmou, em rede nacional, que seu cliente havia matado a namorada. A mãe da jovem vítima participava da transmissão ao vivo naquele momento, recebendo a trágica notícia sem qualquer preparo ou privacidade.

Este caso levantou questões cruciais sobre limites éticos no jornalismo policial, especialmente quando envolve vítimas de violência e seus familiares. O MPF destacou a necessidade de proteção especial para crianças, adolescentes e familiares de vítimas em coberturas jornalísticas sensíveis.

Compromissos da emissora para evitar futuras polêmicas

No acordo, a Record se comprometeu especificamente a:

  • Reforçar protocolos internos para situações envolvendo vítimas e familiares
  • Garantir maior respeito à dignidade humana em todos os programas jornalísticos
  • Implementar medidas preventivas para evitar exposição indevida de cidadãos
  • Priorizar a privacidade e o bem-estar emocional de participantes em reportagens policiais

O episódio serviu como alerta para toda a indústria midiática brasileira sobre os riscos de sensacionalismo e a importância do tratamento humanizado em coberturas de crimes violentos. A resolução do caso através de um TAC evita processos judiciais prolongados, mas estabelece precedente significativo para condutas editoriais futuras.