Operação da PF e MP-SP desarticula esquema de corrupção na Polícia Civil paulista
PF e MP-SP desarticulam esquema de corrupção na Polícia Civil

Operação conjunta da PF e MP-SP mira corrupção sistêmica na Polícia Civil paulista

O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Federal deflagraram, na manhã desta quinta-feira (5), uma operação de grande porte contra um esquema de corrupção sistêmica e lavagem de dinheiro que, segundo as investigações, se instalou em departamentos estratégicos da Polícia Civil do estado. A ação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, investiga a participação ativa de policiais, advogados e operadores financeiros em uma rede criminosa sofisticada.

Delegacias transformadas em centro de negociações ilícitas

De acordo com a decisão judicial do juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, o grupo criminoso teria transformado delegacias especializadas em um verdadeiro centro de negociações para garantir a impunidade de criminosos de alto escalão. A Justiça autorizou uma série de medidas cautelares, incluindo:

  • Prisões preventivas de 13 investigados
  • Mandados de busca e apreensão em 41 endereços
  • Bloqueio de bens e valores dos envolvidos

Os locais de busca incluem residências particulares, escritórios de advocacia e as próprias sedes das delegacias onde os policiais investigados estavam lotados, especificamente o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), o Departamento de Investigações Criminais (Deic) e o 16º Distrito Policial (Vila Clementino).

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Esquema sofisticado de lavagem de dinheiro

A investigação aponta que a organização criminosa utilizava métodos extremamente sofisticados para ocultar a origem de recursos ilícitos. Entre as técnicas identificadas estão:

  1. Uso de empresas de fachada para simular operações comerciais
  2. Simulação de operações de importação para justificar movimentações financeiras
  3. Conversão de dinheiro em espécie em créditos de vales-refeição através de estabelecimentos comerciais fictícios

Os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, já conhecidos por sua atuação na Operação Lava Jato, são apontados como operadores financeiros centrais do grupo. Segundo o Ministério Público, a rede contava com a colaboração ativa de agentes públicos para evitar fiscalizações e, principalmente, para encerrar inquéritos policiais após o pagamento de propinas.

Corrupção em departamentos de elite da polícia

O documento judicial detalha episódios graves de corrupção nos departamentos considerados de elite da Polícia Civil paulista. Em um dos casos mais emblemáticos, investigados teriam tido acesso irrestrito às dependências do DPPC para substituir um disco rígido (HD) apreendido, que continha informações incriminatórias, por um dispositivo sem qualquer dado comprometedor.

Outros episódios relatados incluem:

  • Pagamentos de propina realizados no hangar do Serviço Aerotático da Polícia Civil, localizado no Campo de Marte
  • Extorsões conduzidas no âmbito do 16º Distrito Policial (Vila Clementino)
  • Exigência de R$ 5 milhões por parte de policiais para não dar prosseguimento a um inquérito específico

Fundamentação judicial e gravidade dos fatos

Ao fundamentar as medidas cautelares, o magistrado destacou o que classificou como "subversão ao dever funcional" por parte dos agentes públicos envolvidos. A decisão judicial ressalta que a gravidade dos fatos investigados e a reiteração das condutas ilícitas justificam plenamente a intervenção do Poder Judiciário para interromper as atividades da organização criminosa.

A operação representa um dos maiores golpes contra a corrupção institucional no estado de São Paulo nos últimos anos, evidenciando como mecanismos de lavagem de dinheiro e corrupção se infiltraram em setores estratégicos da segurança pública. As investigações continuam em andamento, com a expectativa de novas descobertas sobre a extensão completa do esquema criminoso.

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