Impacto no RS da decisão da UE que proíbe exportação de carne brasileira
Impacto no RS da decisão da UE que proíbe exportação de carne

A União Europeia (UE) decidiu excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne e outros produtos de origem animal para o bloco europeu. A medida, que entra em vigor em 3 de setembro, foi motivada por regras contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. O Brasil não conseguiu fornecer garantias suficientes sobre o cumprimento das normas sanitárias exigidas pela UE.

Impacto no Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul é um dos estados que serão mais afetados caso a decisão não seja revertida. O estado é o terceiro maior exportador de frango do país e também um dos principais exportadores de carne bovina. Segundo Júlio Barcellos, coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a expectativa é de que o Brasil consiga reverter a decisão.

“Não chega a ser um balde de água fria, mas é uma ameaça que preocupa. Entretanto, a cadeia está estruturada, todas as entidades representativas estão trabalhando intensivamente e nós acreditamos que dentro desses prazos a pecuária gaúcha atenderá aos requisitos junto, obviamente, com a pecuária brasileira”, afirmou Barcellos.

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Exigências da União Europeia

Os antimicrobianos são substâncias utilizadas para garantir a saúde animal. A UE exige mecanismos comprobatórios de que o uso desses medicamentos respeita os prazos de carência e é feito apenas em situações extremamente necessárias. De acordo com Barcellos, algumas substâncias já são proibidas na Europa, e o Brasil está encaminhando instruções normativas para proibi-las também no país.

“A prova não é tão complexa assim e isto vem em benefício não só do consumidor europeu, mas do consumidor brasileiro”, destacou o especialista, ressaltando que a decisão serve como um alerta para que o setor se mantenha organizado e cumpra as regras pré-estabelecidas.

Qualidade da carne brasileira

Barcellos enfatizou que a qualidade da carne brasileira é uma das mais saudáveis do mundo, passando por um crivo extremamente elevado do serviço de inspeção oficial. Quanto ao preço para o consumidor brasileiro, o especialista não vê cenário capaz de reduzir o valor, pois há um déficit de carne bovina. “Não existem muitas alternativas de buscar outros fornecedores para atender essa demanda deficitária da União Europeia, mas o Brasil não pode valer-se exclusivamente dessa necessidade do mercado para cumprir as regras”, concluiu.

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