Ministério Público do Rio altera posição e solicita internação de adolescente acusado de estupro coletivo
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) modificou seu entendimento nesta quinta-feira, 5 de março de 2026, sobre a internação de um adolescente de 17 anos acusado de participar de um estupro coletivo ocorrido em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Inicialmente, o órgão foi contrário ao encaminhamento, alegando falta de requerimento expresso da autoridade policial e elementos que demonstrassem a necessidade da medida.
A situação se transformou completamente quando surgiram novas denúncias de violência sexual contra os envolvidos no caso. Em comunicado oficial, o MPRJ explicou que a 1ª Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude Infracional da Capital se manifestou favoravelmente ao pedido de internação provisória após a apresentação de novos elementos pela polícia.
Novas acusações e decisão judicial
Os promotores indicaram o possível envolvimento do adolescente investigado em outro episódio de estupro coletivo com dinâmica semelhante, fundamentando a solicitação nos artigos 108 e 174 do Estatuto da Criança e do Adolescente. A Vara de Infância e Juventude da Capital decretou a internação e expediu mandado de busca e apreensão do adolescente.
A medida foi considerada essencial para garantir a ordem pública, diante da possível reiteração infracional, e também para assegurar a segurança pessoal do próprio adolescente, em razão da ampla repercussão social do caso.
Até o momento, outras duas meninas prestaram queixa contra os envolvidos, seguindo o mesmo modus operandi: as vítimas eram atraídas para algum lugar e, então, violentadas. No caso específico de Copacabana, o menor convidou uma adolescente de 17 anos para um apartamento pertencente ao pai de Vitor Hugo, um dos indiciados.
Entrega dos acusados e repercussões
Bruno Felipe dos Santos Allegretti (18 anos), Vitor Hugo Oliveira Simonin (18 anos), João Gabriel Bertho Xavier (19 anos) e Mattheus Veríssimo Zoel Martins (19 anos) se entregaram entre terça e quarta-feira, após serem indiciados no último sábado, 28 de fevereiro. O pai de Vitor Hugo, José Carlos Simonin, ex-subsecretário da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, foi exonerado do cargo em meio à repercussão do caso.
Após a decisão do MPRJ, a Justiça do Rio de Janeiro autorizou um mandado de busca e apreensão contra o adolescente, que não pode ter a identidade divulgada por ser menor de idade. Ele não foi encontrado em sua residência e é considerado foragido, sendo investigado por ato infracional análogo ao crime de estupro.
Detalhes do crime ocorrido em janeiro
O crime teria acontecido em 31 de janeiro, quando o menor sugeriu que a vítima levasse uma amiga, mas ela afirmou que não conseguiu ser acompanhada e não via problema em ir sozinha. Imagens de câmeras de segurança mostram que os quatro adultos chegaram ao apartamento antes da vítima, que foi avisada no elevador que os amigos do rapaz estavam no local e poderiam fazer "algo diferente".
Ela recusou a proposta inicialmente, mas mais tarde, enquanto mantinha relação sexual com o adolescente, os quatro entraram no quarto. Após insistência, ela aceitou que permanecessem no cômodo desde que não a tocassem, acordo que não foi respeitado.
Segundo o depoimento da adolescente, os acusados tiraram a roupa, começaram a apalpá-la, forçaram que fizesse sexo oral e a penetraram, além de chutá-la, socá-la e estapeá-la. Quando tentou sair, foi impedida pelos agressores. O relatório policial afirma que, depois da vítima deixar o edifício, o menor é visto fazendo gestos de comemoração aos amigos.
Procedimentos policiais e institucionais
A vítima procurou a 12ª DP (Copacabana) para registrar a queixa e realizou exame de corpo de delito, que identificou lesões compatíveis com violência física, incluindo infiltrado hemorrágico, escoriação na região genital e sangramento vaginal. Manchas nas regiões dorsal e glútea também foram localizadas, com materiais biológicos coletados para exames genéticos e análise de DNA.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro entrou com denúncia por estupro com concurso de pessoas, e o Tribunal de Justiça expediu mandados de prisão preventiva pela 1ª Vara Especializada em Crimes Contra Crianças e Adolescentes. No sábado, a polícia deflagrou a operação "Não é Não" para cumprir as ordens judiciais, mas nenhum dos quatro jovens foi encontrado inicialmente.
Em meio à ampla repercussão do caso, instituições de ensino e esportivas tomaram medidas disciplinares:
- A Reitoria do Colégio Pedro II e a Direção-Geral do Campus Humaitá II afastaram dois dos jovens acusados, incluindo o menor de idade e Vitor Hugo.
- A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) suspendeu por 120 dias o aluno Bruno Felipe.
- O Serrano Football Club afastou João Gabriel e rompeu o contrato com o atleta.
O caso continua sob investigação das autoridades competentes, com busca ativa pelo adolescente considerado foragido e acompanhamento rigoroso das novas denúncias que surgiram contra os envolvidos.



