Trump e Xi se encontram em Pequim com tensões sobre Taiwan e comércio
Trump e Xi em Pequim: tensões sobre Taiwan e comércio

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, reuniram-se em Pequim para um encontro histórico que marcou a segunda vez em menos de um ano que os dois se encontraram presencialmente. A visita de Trump à China, que durou dois dias, encerrou-se nesta sexta-feira (15), com uma grande cerimônia e um banquete oficial oferecido por Xi. No entanto, temas sensíveis entre as duas potências permanecem sem solução.

Contexto do encontro

Diferentemente da reunião de outubro de 2025, poucos anúncios concretos foram feitos. Xi Jinping sinalizou interesse em ampliar a cooperação bilateral em áreas como comércio e turismo, além de afirmar que abriria ainda mais as portas para empresas americanas envolvidas na abertura econômica chinesa. Segundo a China, os dois países traçaram uma agenda para direcionar a relação bilateral pelos próximos três anos. Trump, por sua vez, anunciou que a China concordou em comprar aviões americanos e disse que os dois países terão um “futuro fantástico”, com relações cada vez melhores.

Reunião no Grande Salão do Povo

O primeiro encontro, realizado no Grande Salão do Povo, foi decisivo para a relação entre os países. A reunião bilateral começou com discursos abertos à imprensa, nos quais Xi adotou um tom cordial ao exaltar as relações com os Estados Unidos, mas também deixou sinais de tensão. O líder chinês afirmou que o mundo está diante de uma nova encruzilhada e que os interesses comuns superam as diferenças. Xi citou a chamada “armadilha de Tucídides”, questionando se China e EUA conseguirão evitar um confronto entre grandes potências. “Devemos ser parceiros, não rivais. Devemos ajudar uns aos outros a ter sucesso, prosperar juntos e encontrar a forma adequada para que grandes países convivam na nova era”, declarou Xi.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Trump, por sua vez, improvisou em seu discurso, elogiando a cerimônia de recepção com tapete vermelho, desfile militar e crianças pulando. Ele classificou o encontro como “uma honra como poucas” e disse acreditar em um futuro positivo para a cooperação entre as duas potências. Trump chamou Xi de “grande líder” e “amigo”, afirmando que respeita a China e o trabalho do presidente chinês. “Você é um grande líder. Digo isso a todo mundo. Às vezes as pessoas não gostam que eu diga isso, mas digo mesmo assim porque é verdade. Eu só digo a verdade”, disse o americano. Após a troca cordial, a reunião foi fechada para a imprensa.

Impasses: Taiwan e outras questões

Segundo a imprensa chinesa, Xi Jinping deixou claro na reunião a portas fechadas que o principal ponto de atrito entre China e EUA é Taiwan. O líder chinês afirmou que, se o tema não for conduzido adequadamente, os dois países poderiam entrar em choque e até em um possível conflito. Taiwan é um dos principais pontos de tensão: a China considera a ilha parte de seu território, enquanto os EUA atuam para garantir a autonomia da região. Nos últimos anos, os EUA forneceram armas a Taiwan, irritando Pequim, que ampliou a presença militar no entorno da ilha. A informação foi vista como uma linha vermelha imposta por Xi durante o encontro.

Horas depois, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que seria um “erro terrível” se a China tentasse tomar Taiwan à força. Em entrevista à NBC, Rubio afirmou que a posição americana sobre a autonomia da ilha não mudou e que os EUA seguem adotando uma “ambiguidade estratégica” sobre o tema. Ele também afirmou que a venda de armas americanas para Taiwan “não teve destaque” nas conversas com os chineses.

Além de Taiwan, a situação no Oriente Médio, a guerra na Ucrânia e as tensões na Península Coreana foram discutidas. A questão do Irã chamou atenção: a Casa Branca afirmou que os dois líderes concordaram que o Estreito de Ormuz precisa ser reaberto, e Xi demonstrou interesse em comprar petróleo americano para reduzir a dependência do Oriente Médio. Trump disse que Xi garantiu que a China não fornecerá “equipamentos militares” ao Irã. Segundo Rubio, Trump não pediu ajuda à China em relação à guerra no Irã. Não houve informações sobre discussões envolvendo armas nucleares, pois, antes do encontro, uma autoridade chinesa disse à Reuters que Xi não tinha interesse em discutir o tema naquele momento.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Banquete e mais elogios

Após a reunião bilateral, Trump e Xi visitaram o Templo do Céu, em Pequim, em um passeio de menos de uma hora. Os dois líderes foram vistos sorrindo para fotos e trocando palavras. Trump disse que a reunião no Grande Salão do Povo tinha sido “ótima”. Mais tarde, Xi ofereceu um banquete para Trump, e os dois voltaram a trocar elogios. O presidente chinês disse que a visita foi histórica e que tiveram uma “troca de opiniões profunda”. Trump novamente chamou Xi de “amigo” e disse que as discussões foram extremamente positivas e construtivas, classificando a relação entre Estados Unidos e China como “uma das mais importantes da história mundial”.

Antes do retorno para Washington, Trump ainda participaria de um chá e um almoço com Xi Jinping, além de uma fotografia oficial do encontro.