Justiça de São Paulo nega prisão temporária de sócios de academia após morte por cloro
A Justiça de São Paulo rejeitou o pedido de prisão temporária dos sócios da academia Celso Bertolo Cruz, Cesar Bertolo Cruz e Cezar Augusto Miquelof Terração, que são investigados pela morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, após intoxicação por cloro. A decisão foi proferida pela juíza Paula Marie Kono, atendendo ao pedido do delegado Alexandre Bento, do 42º DP (Parque São Lucas), na quarta-feira (11). A negativa do pedido de prisão foi confirmada tanto pela Polícia Civil quanto pela defesa dos investigados.
Excesso de cloro em ambiente confinado
Segundo o delegado responsável pelo caso, houve uso excessivo de cloro na piscina onde ocorria a aula de natação, em um ambiente considerado confinado. De acordo com a investigação, "a carga de cloro usada em um dia era para uma semana", o que teria elevado significativamente a toxicidade do local. Além de Juliana, outras seis pessoas passaram mal durante o incidente. O marido da professora permanece internado em estado grave, enquanto outras duas vítimas seguem na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Defesa comemora decisão judicial
A defesa de Celso, Cesar e Cezar Augusto afirmou ter recebido "com satisfação a decisão judicial" que permite aos clientes acompanhar a investigação em liberdade. "Reiteramos que eles permanecem inteiramente à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos, em qualquer momento, confiando que a investigação prosseguirá de forma técnica, isenta e em estrita observância às garantias constitucionais", declararam os advogados.
Detalhes da investigação e tentativa de dificultar apuração
A apuração policial indica que o balde com cloro foi deixado próximo à raia onde a aula de natação acontecia. A Polícia Civil também afirma que houve tentativa de dificultar a investigação, com suposta omissão de documentos e exclusão de mensagens trocadas no dia do ocorrido. Nos depoimentos, os três sócios atribuíram ao funcionário responsável pela manutenção da piscina, Severino José da Silva, o erro no manuseio do produto químico.
Versões conflitantes sobre o incidente
Celso Bertolo Cruz, que se descreveu como responsável pela manutenção predial da unidade da Academia C4 Gym no Parque São Lucas, relatou à polícia o que aparece nas imagens do sistema interno de monitoramento. Segundo ele, as gravações mostrariam Severino destampando um balde com cloro em pó e chacoalhando o recipiente, o que teria levantado uma "névoa" do produto no ambiente. "Posso afirmar com absoluta certeza que Severino errou ao manusear cloro em pó nas proximidades da piscina", declarou Celso.
No entanto, a advogada do manobrista, Bárbara Bonvivini, contestou essa versão. Ela afirmou à Folha que há divergências entre os depoimentos prestados pelos sócios e as imagens analisadas pela própria polícia. "A imagem que Celso descreve não aconteceu daquela forma. O balde estava fechado. O balde que foi chacoalhado não é o mesmo balde", disse Bonvivini. A advogada informou que Severino entregou voluntariamente o celular à polícia, e que o aparelho contém conversas que demonstrariam que ele seguia orientações do responsável pela manutenção. "No celular constam conversas com Celso, que dizia o que deveria ser feito. Ele recebia 100% das ordens de Celso", afirmou.
Impacto do caso e próximos passos
O caso continua sob investigação da Polícia Civil, que busca esclarecer as responsabilidades pela tragédia que resultou na morte de Juliana Faustino Bassetto e deixou várias outras vítimas hospitalizadas. A decisão judicial de negar a prisão temporária dos sócios permite que eles permaneçam em liberdade enquanto a apuração avança, mas não impede que novas medidas sejam tomadas conforme o desenrolar das investigações.