Petrobras interrompe perfuração na Foz do Amazonas após alerta do MPF sobre riscos ambientais
Petrobras paralisa perfuração na Foz do Amazonas após vazamento

Petrobras interrompe atividades na Foz do Amazonas após recomendações do MPF sobre riscos ambientais

O Ministério Público Federal (MPF) emitiu, nesta sexta-feira (13), duas recomendações urgentes ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e à Petrobras, exigindo a suspensão imediata do licenciamento para pesquisas sísmicas na região da Foz do Amazonas. O órgão alerta que os processos atuais podem mascarar os verdadeiros riscos socioambientais da exploração de petróleo nessa área sensível.

Recomendações específicas para Ibama e Petrobras

O MPF fez pedidos detalhados às instituições envolvidas. Ao Ibama, solicitou:

  • Não autorizar a perfuração dos poços Marolo, Manga e Maracujá sem que a Petrobras apresente os estudos técnicos necessários;
  • Condicionar qualquer avanço no Bloco FZA-M-59 à análise conjunta dos quatro poços previstos, considerando efeitos sinérgicos e cumulativos;
  • Suspender o prazo para manifestação pública e as Reuniões Técnicas Informativas até que os estudos para pesquisas sísmicas sejam realizados corretamente.

À Petrobras, o MPF exigiu:

  • Retificar e atualizar, em 30 dias, o projeto de comunicação social e os boletins informativos, para incluir claramente a previsão de perfuração de quatro poços, não apenas um;
  • Atualizar todos os canais oficiais da empresa, removendo informações que considerem a perfuração de apenas um poço, garantindo transparência ambiental e o direito à informação.

Omissão de dados e falta de transparência

Um dos pontos centrais das recomendações é o Bloco FZA-M-59. O MPF aponta uma contradição significativa: enquanto a Petrobras comunica à sociedade a perfuração de apenas um poço, chamado "Morpho", em materiais de divulgação e reuniões com comunidades, um cronograma atualizado da empresa já prevê a perfuração de outros três poços ("Marolo", "Manga" e "Maracujá") entre 2027 e 2029. Segundo o MPF, essa omissão prejudica o conhecimento público sobre a real proporção das atividades e mascara o impacto total, pois os riscos de vazamentos, barulho das máquinas e fluxo de navios se somam quando múltiplos poços são perfurados na mesma região.

Preocupações com pesquisa sísmica e ecossistemas sensíveis

A outra recomendação do MPF foca na pesquisa sísmica, um método que usa canhões de ar comprimido para emitir pulsos sonoros e mapear petróleo no fundo do mar. O órgão identificou que o licenciamento dessas pesquisas está avançando sem dados primários, ou seja, sem coleta de informações reais sobre o ecossistema local. A região abriga o Cânion do Rio Amazonas e recifes de corais, áreas de extrema sensibilidade biológica. Pareceres técnicos do próprio Ibama confirmam que a Petrobras não apresentou o diagnóstico ambiental exigido, tornando as reuniões técnicas informativas com a população inválidas, pois a sociedade é consultada sobre um projeto cujo impacto real é desconhecido até pelos técnicos.

O g1 solicitou posicionamentos ao Ibama e à Petrobras e aguarda retorno. As ações do MPF destacam a necessidade urgente de maior transparência e avaliação ambiental rigorosa para proteger um dos ecossistemas mais importantes do Brasil.