Operação mira grupo chinês ligado ao PCC suspeito de movimentar R$ 1,1 bilhão
Grupo chinês ligado ao PCC é alvo de operação por lavagem de dinheiro

Operação policial mira grupo chinês suspeito de lavar dinheiro para o PCC

Uma empresa de eletrônicos de origem chinesa, sediada em São Paulo, tornou-se alvo de uma grande operação policial nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026. As investigações apontam que a empresa atuava como fachada para o Primeiro Comando da Capital (PCC), movimentando valores suspeitos que chegaram a impressionantes 1,1 bilhão de reais em apenas sete meses.

Esquema financeiro complexo para ocultação de recursos

De acordo com as autoridades, o grupo criminoso montou um sistema sofisticado de fluxo de caixa para esconder a origem ilícita dos recursos. Os pagamentos dos clientes, que adquiriam equipamentos eletrônicos distribuídos para todo o Brasil, eram redirecionados da plataforma principal para empresas de fachada que funcionavam como contas-laranja.

Enquanto isso, outras companhias eram responsáveis pela emissão de notas fiscais, criando uma aparência de legalidade para as transações. Investigadores descobriram que entre os sócios do grupo chinês estão integrantes diretamente ligados ao PCC, que também aparecem como proprietários de imóveis de luxo vinculados à operação.

Blindagem patrimonial e origem do dinheiro

As investigações indicam que a entrada da facção criminosa no esquema tinha como objetivo principal a blindagem do patrimônio. As autoridades estão apurando se o dinheiro lavado teve origem no tráfico de drogas ou em outras atividades ilícitas praticadas pelo PCC.

O complexo sistema financeiro permitia que recursos de origem duvidosa fossem integrados ao mercado formal, dificultando o rastreamento pelas agências de fiscalização.

Operação cumpre mandados em dois estados

Na manhã desta quinta-feira, foram cumpridos três mandados de prisão e vinte mandados de busca e apreensão em endereços localizados em São Paulo e Santa Catarina. O valor bloqueado durante a operação atinge a marca bilionária, incluindo 25 milhões de reais em imóveis de alto padrão e veículos de luxo.

Além dos bens físicos, as autoridades bloquearam contas de fachada utilizadas para movimentar o dinheiro e diversas aplicações no mercado financeiro em diferentes modalidades de investimento.

Força-tarefa multidisciplinar

A operação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Proteção ao Patrimônio Público (Gaepp), do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com o Departamento de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil e com a Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP).

Participam da força-tarefa aproximadamente cem policiais civis, além de vinte auditores da Receita Estadual e dois promotores de Justiça que realizam buscas em endereços ligados à organização criminosa. A coordenação entre diferentes órgãos foi fundamental para desmontar o esquema financeiro complexo.

Distribuição nacional de eletrônicos como fachada

A empresa investigada atuava oficialmente na distribuição de equipamentos eletrônicos para todo o território nacional, o que proporcionava uma capa perfeita para as movimentações financeiras irregulares. A operação de negócios legítimos servia para mascarar as transações ilícitas, dificultando a identificação pelas autoridades.

As investigações continuam em andamento para identificar todos os envolvidos no esquema e recuperar os recursos desviados. Esta operação representa um golpe significativo nas estruturas financeiras do crime organizado no Brasil.