Caso Lael: Médica acusada de envolvimento na morte do marido pode voltar à prisão feminina em Sergipe
Caso Lael: Médica acusada pode voltar à prisão

O que parecia ser um respiro fora das grades pode estar com os dias contados. A médica Lael, cujo nome ficou gravado na memória de muitos sergipanos por um caso tão trágico quanto complexo, encara agora a real possibilidade de retornar ao presídio feminino.

A Justiça — essa entidade que às vezes nos surpreende com seus zigue-zagues — deu uma guinada significativa. A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Sergipe, não satisfeita com um habeas corpus concedido anteriormente, cassou a liberdade da profissional da saúde.

Parece que o fio da meada judicial é mesmo embaraçoso. Tudo remonta a 2021, um ano que Lael certamente gostaria de riscar do calendário. Seu marido, o também médico Daniel França, foi encontrado sem vida dentro de um carro, num cenário que inicialmente se pintou como suicídio. Mas, ah, como as aparências enganam.

As investigações, teimosas e meticulosas, foram desfiando uma narrativa bem diferente. As linhas de um suposto enforcamento não convenceram os peritos. A tese de homicídio ganhou força, peso e contornos sombrios. E o dedo acusador, como um raio em céu azul, apontou para Lael.

O Ministério Público não titubeou. Apresentou uma denúncia pesada, gravíssima: homicídio triplamente qualificado. Por motivo fútil, meio cruel e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Um trio de horrores que, se comprovado, pinta um quadro de frieza e cálculo que é de gelar a espinha.

E o que diz a defesa? Bem, eles se agarram à tese do suicídio com unhas e dentes. Alegam perseguição, uma investigação que teria viés de confirmação desde o início. Mas o Tribunal, ao analisar o caso, viu risco concreto. Risco de a acusada, diante da gravidade do que pesa sobre seus ombros, tentar fugir ou atrapalhar o andamento das investigações. A liberdade, portanto, tornou-se um luxo muito arriscado.

O caso, que já é velho conhecido da mídia, promete novos capítulos. A defesa já sinalizou que vai recorrer — porque no direito, como na vida, quase nada é definitivo. Eles devem bater na porta do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na esperança de reverter mais esta decisão.

Enquanto isso, em Aracaju, a população acompanha tudo com um misto de choque e fascínio. Como uma história dessas — que mais parece um roteiro de filme — pode se desenrolar no quintal de casa? A volta aos cárceres do Presídio Feminino de Aracaju parece ser, agora, apenas uma questão de tempo e trâmites burocráticos. Resta saber qual será o próximo movimento neste jogo de xadrez judicial.