Naufrágio no Amazonas: Após uma semana, buscas por cinco desaparecidos continuam intensas
Naufrágio no Amazonas: Buscas por 5 desaparecidos continuam

Naufrágio no Amazonas: Após uma semana, buscas por cinco desaparecidos continuam intensas

Completando uma semana nesta sexta-feira (19), o naufrágio de uma lancha no Amazonas mantém equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) mobilizadas em uma das operações mais complexas já realizadas na região. As buscas por cinco pessoas desaparecidas não têm prazo para encerramento e já percorreram mais de 200 quilômetros pelos rios, ampliando gradualmente a área de busca desde o ponto do acidente.

O trágico acidente no Encontro das Águas

A lancha de transporte de passageiros da empresa Lima de Abreu Navegações afundou na tarde do dia 13 de fevereiro no Encontro das Águas, um dos principais pontos turísticos do Amazonas. O acidente resultou em três mortes confirmadas e deixou passageiros à deriva enquanto aguardavam resgate.

Segundo informações do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, 71 pessoas foram resgatadas sem ferimentos graves, três pessoas perderam a vida e outras cinco continuam desaparecidas. As causas exatas do naufrágio permanecem sob investigação das autoridades competentes.

Relatos dramáticos e sobreviventes especiais

Vídeos registrados durante o incidente mostram passageiros, incluindo crianças, sobre botes e utilizando coletes salva-vidas enquanto aguardavam socorro. Uma das passageiras gravou um vídeo enquanto estava à deriva e relatou ter alertado o condutor da lancha para reduzir a velocidade, afirmando claramente: "falei para ir devagar".

Entre os resgatados encontra-se um caso especialmente emocionante: um bebê prematuro com apenas cinco dias de vida foi encontrado dentro de um cooler à deriva nas águas do rio. Outra sobrevivente forneceu detalhes cruciais sobre o momento do acidente, confirmando que a lancha estava em alta velocidade e que a embarcação começou a inundar após ser atingida por banzeiros, como são conhecidas as ondas do rio na região.

Vítimas confirmadas e desaparecidos

No dia do acidente, foram encontrados os corpos de Samila de Souza, de 3 anos, e Lara Bianca, de 22 anos. Samila foi levada ao Pronto Socorro da Criança da Zona Leste, mas chegou sem vida ao hospital. O corpo de Lara Bianca foi resgatado e encaminhado ao pelotão fluvial do Corpo de Bombeiros no Porto de Manaus, seguindo posteriormente para o Instituto Médico Legal.

O corpo da terceira vítima, identificada como Fernando Grandêz, de 39 anos, foi localizado no Rio Amazonas na segunda-feira (16), durante as operações de busca. As cinco pessoas que permanecem desaparecidas não tiveram suas identidades divulgadas oficialmente pelas autoridades.

Operação de busca em larga escala

O comandante da corporação, coronel Orleilso Muniz, revelou que aproximadamente 70 a 80 militares atuam diariamente na operação, incluindo mergulhadores especializados, especialistas em salvamento aquático e equipes embarcadas. As buscas envolvem técnicas diversificadas como varreduras de superfície, mergulhos profundos e o emprego de tecnologias avançadas como sonares de imagem e detectores de metal.

Na terça-feira (17), uma descoberta significativa ocorreu quando o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas encontrou uma mochila e uma carteira com documentos pessoais de um dos passageiros desaparecidos, localizados a cerca de 70 quilômetros do local original do acidente.

Piloto foragido da Justiça

O piloto da lancha, identificado como Pedro José da Silva Gama, de 42 anos, foi preso pela polícia no próprio dia do naufrágio enquanto estava no Porto de Manaus junto com outros sobreviventes. Inicialmente encaminhado ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), ele foi transferido para a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) após a confirmação das mortes.

Embora tenha sido liberado após pagar fiança inicialmente, a Justiça decretou sua prisão preventiva no sábado (14). Desde então, o piloto não foi localizado pelas autoridades e é considerado oficialmente foragido, acrescentando mais um elemento complexo às investigações sobre as causas do trágico naufrágio que continua a mobilizar recursos e equipes de resgate na região amazônica.