
O solo de Gaza volta a tremer, e não é só metáfora. Enquanto os tanques israelenses avançam sobre Rafah, no sul do território palestino, uma operação de alto risco trouxe um desfecho ao mesmo tempo trágico e aliviador para uma família: a recuperação do corpo de um refém.
Parece coisa de filme, mas é a realidade crua do conflito que teima em não arrefecer. O que se vê é uma escalada militar que, vamos combinar, já deixou há tempos o mundo com os nervos à flor da pele.
Uma Operação na Madrugada
Foi durante a noite, esse período sombrio que sempre esconde as operações mais arriscadas, que as tropas de elite israelenses agiram. Elas penetraram em Rafah – uma área que se transformou no epicentro dessa fase do conflito – com um objetivo preciso. E conseguiram. Recuperaram o corpo de Ron Benjamin, um dos cidadãos sequestrados durante aquele ataque horroroso do Hamas no dia 7 de outubro.
Ron estava no festival de música, sabe? Um evento que deveria ser sobre paz e celebração, mas que se tornou um pesadelo. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não poupou adjetivos, classificando a ação como ‘heroica’.
O Avanço sobre Rafah: Aviso ou Provocação?
Enquanto isso, a máquina de guerra não para. O exército israelense basicamente deu um ultimato: ‘evacuem o leste de Rafah’. Quem não obedece, se arrisca. E olha, a comunidade internacional tá de cabelo em pé. A ONU, os Estados Unidos… todo mundo alerta que uma ofensiva de larga escala por lá seria uma catástrofe humanitária das grandes.
Mas o governo israelense parece irredutível. Eles argumentam, não sem certa razão do ponto de vista deles, é claro, que Rafah é o último grande reduto do Hamas. É dali que saem os líderes do grupo e onde estariam os últimos reféns. Uma equação brutalmente complexa.
Os Números que Doem
Para tentar botar na balança, os números são assustadores e falam por si só. Do lado palestino, mais de 34.700 mortes, segundo o Ministério da Saúde de Gaza – que é administrado pelo Hamas, vale lembrar. Uma tragédia de proporções bíblicas. Israel, por sua vez, perdeu quase 300 soldados desde o início da operação terrestre. E cada refém resgatado, vivo ou não, é uma ferida que se abre e se fecha ao mesmo tempo.
O que vem pela frente? Ninguém sabe ao certo. A sensação é de que estamos todos num barco furado, remando contra a correnteza de um rio de ódio e desconfiança que só aumenta. A esperança, frágil como é, agora se apega a um frágil acordo de trégua. Mas com operações militares em curso e interesses tão divergentes, fica difícil acreditar num final feliz para breve.