O Maranhão registrou 80.534 crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2024, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento foi utilizado em um diagnóstico da Secretaria de Inspeção do Trabalho, que analisou o trabalho infantil nas capitais e regiões metropolitanas do país. O estudo serve de base para o planejamento de fiscalizações e para a criação de políticas públicas de proteção a crianças e adolescentes.
Em números absolutos, o Maranhão ocupou a 7ª posição entre os estados com mais crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no Brasil. O relatório considera trabalho infantil as atividades realizadas por crianças e adolescentes de 5 a 17 anos, incluindo atividades econômicas, produção para consumo próprio, tarefas domésticas e cuidado de pessoas, conforme critérios adotados pelo IBGE.
Dados na capital e região metropolitana
Em São Luís, foram registrados 1.049 casos em 2024. Com isso, a capital ocupou a 20ª posição no ranking entre as capitais brasileiras. O número representa apenas 1,3% do total de casos do Maranhão, uma das menores concentrações do país. Na Região Metropolitana da Grande São Luís, foram identificados 2.418 casos, o que representa 3% do total estadual, o menor percentual entre as regiões metropolitanas do Brasil.
Interior concentra maior parte dos casos
Segundo o levantamento, isso indica que o trabalho infantil no Maranhão está mais concentrado no interior do estado. Ou seja, a maior parte das crianças e adolescentes nessa situação vive fora da capital e da região metropolitana. O estudo aponta que essa distribuição pode estar ligada a fatores como a organização econômica do estado, a extensão territorial, a quantidade de municípios e a dinâmica populacional.
O documento também destaca que o trabalho infantil se manifesta de formas diferentes em cada região. Nas áreas urbanas e metropolitanas, o trabalho infantil costuma estar associado à informalidade, ao trabalho familiar não remunerado e a atividades de risco, como venda de produtos em semáforos e mendicância.
O documento alerta que os dados são estatísticas experimentais e devem ser analisados com cautela. As informações devem orientar ações da Inspeção do Trabalho até a divulgação de dados mais precisos do Censo 2022.



