
Vamos combinar uma coisa: o mercado de SUVs compactos está mais saturado que metrô em horário de rush. Todo mês surge um novo "revolucionário" que promete mudar tudo – e no final, acaba sendo mais do mesmo.
Eis que chega o Citroën Basalt, com aquele visual ousado – meio coupé, meio SUV – e uma proposta que chama atenção: ser um carro "honesto". Mas o que diabos isso significa na prática? Fui descobrir.
Primeiro contato: o visual que divide opiniões
Chegando mais perto, a primeira coisa que salta aos olhos é a traseira. Meu Deus, que traseira! Alto, largo, com aquelas lanternas que parecem ter saído de um filme de ficção científica. Você vai amar ou odiar – não há meio termo. Particularmente? Achei ousado, diferente de tudo que temos por aí. Pelo menos não é mais um clone genérico.
O interior… bem, é aqui que a tal "honestidade" começa a ficar evidente. Não espere luxos exagerados ou materiais que imitem madeira de jacarandá. É plástico, sim – mas bem acabado, encaixado com precisão. Tudo funciona como deveria, sem firulas. Até que ponto isso é virtude ou economia disfarçada? Hmm, boa pergunta.
Na estrada: conforto acima de tudo
Liguei o motor e… silêncio. O três-cilindros 1.0 turbo é surpreendentemente civilizado em baixas rotações. Mas é na hora de acelerar que a coisa fica interessante – ou não.
A transmissão CVT é, digamos, peculiar. Ela prioriza suavidade acima de tudo – e isso significa que às vezes você pisa fundo e o carro pensa: "calma, meu amigo, vamos chegar lá sem sustos". Quem espera resposta imediata pode ficar frustrado. Mas para o trânsito caótico das cidades brasileiras? Faz todo o sentido.
O consumo foi uma grata surpresa. Fiz mais de 14 km/l na estrada – num tanque cheio, daria para ir de São Paulo ao Rio e ainda sobraria um trocado. Considerando os preços dos combustíveis hoje em dia, isso não é pouco coisa.
Onde o Basalt realmente brilha (e onde peca)
O espaço interno é generoso – até demais para um carro desta categoria. Os bancos traseiros acomodam adultos sem fazer careta, e o porta-malas? Bem, dá para levar as compras do mês e ainda uns dois cachorros de porte médio (brincadeira… ou não).
Agora, vamos falar dos poréns – porque sempre existem. O sistema multimídia, embora funcional, parece ter saído de 2018. A tela responde com uma certa preguiça, e o design dos gráficos… bem, poderia ser mais moderno. Nada que impeça o uso, mas numa época onde até relógio de pulso tem interface tátil, chama atenção.
Veredito final: para quem é este carro?
O Citroën Basalt não é para quem busca emoção ao volante ou status. É para o pragmático, para quem vê o carro como ferramenta – confiável, econômica e confortável. A tal "honestidade" significa que você sabe exatamente o que está comprando: nenhuma surpresa, nenhuma decepção.
É o tipo de carro que você compra num dia chuvoso, após analisar planilhas de consumo e manutenção. Sexy? Não exatamente. Sensato? Com certeza. E no Brasil de hoje, às vezes sensatez vale mais que destaque.