Geração Z masculina surpreende ao abraçar ideias machistas, revela pesquisa global
Geração Z masculina abraça ideias machistas, diz pesquisa

Geração Z masculina surpreende ao abraçar ideias machistas, revela pesquisa global

A Geração Z, composta por jovens com até 30 anos, cresceu em um mundo digitalizado e muitas vezes é vista como defensora da diversidade e da quebra de tabus. No entanto, uma pesquisa internacional revela uma contradição alarmante: os homens dessa geração estão abraçando ideais machistas em taxas superiores às de seus pais e avós, freando o avanço da igualdade de gênero.

Pesquisa expõe números preocupantes

O levantamento, conduzido pelo King's College de Londres em parceria com o Instituto Ipsos, investigou atitudes de gênero em 29 países, incluindo o Brasil. Os resultados são surpreendentes: 31% dos homens da Geração Z concordam que a esposa deve "sempre obedecer ao marido", um percentual significativamente maior do que o observado em outras faixas etárias, que gira em torno de 20%. Além disso, 24% afirmam que as mulheres devem "evitar parecer independentes", e 59% consideram que há "cobrança excessiva" para que os homens apoiem a igualdade de gêneros. No Brasil, esse último número dispara para 72%.

Inseguranças e busca por valores do passado

Especialistas apontam que muitos jovens homens se sentem perdidos diante do empoderamento feminino e das pressões por igualdade. Heejung Chung, diretora do Instituto Global de Liderança Feminina do King's College, explica que fatores como baixos salários, desemprego e dificuldades para se estabelecer na vida adulta contribuem para essa sensação de frustração. "Em meio à incerteza, eles buscam refúgio em valores do passado, que parecem oferecer maior estabilidade", afirma Chung. A psicanalista Carolina Delboni, especialista em adolescência, acrescenta que muitos homens relatam inseguranças em relacionamentos, buscando "manuais de respostas prontas" em vez de enfrentar a complexidade da reinvenção masculina.

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Influência das redes sociais e da machosfera

O ambiente digital tem se mostrado um terreno fértil para a disseminação de ideias machistas. A chamada "machosfera", composta por influenciadores e comunidades online, promove discursos que atrelam masculinidade à força física e à submissão feminina. Exemplos como o influenciador Gabriel Breier, que acumulava 1,6 milhão de seguidores antes de ter sua conta suspensa no Instagram, ilustram como essas ideias ganham espaço. Um documentário recente, "Por Dentro da Machosfera", do jornalista britânico Louis Theroux, mergulha nesse universo, destacando sua influência crescente em escolas, locais de trabalho e na internet em geral.

Impactos emocionais e sociais

Essa adesão a padrões rígidos de masculinidade tem custos emocionais significativos. A pesquisa do King's College revela que 30% dos meninos da Geração Z consideram inapropriado dizer "eu te amo" a amigos, limitando a expressão de afeto. "É uma violência contra eles próprios", avalia Carolina Delboni. Além disso, movimentos extremistas na política, especialmente de grupos ultraconservadores, aproveitam essa tendência para pregar um retorno a modelos patriarcais, influenciando jovens em formação.

Conclusão: um retrocesso preocupante

A socióloga Maira Covre, coordenadora do núcleo de estudos sobre relações de gênero da UERJ, ressalta que mudanças culturais nunca são lineares, mas a flertação da juventude com o atraso representa um risco para a evolução social. Enquanto as mulheres continuam avançando em direção à igualdade, a resistência masculina pode interromper esse progresso. A machosfera e suas ideias não são apenas uma bolha isolada, mas um fenômeno com impacto real, exigindo atenção e ação para garantir que a roda da evolução não pare.

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