Uma carta escrita pelos filhos de Larissa dos Santos da Silva, vítima de feminicídio em Campinas (SP), emocionou ao expressar a saudade da mãe. No texto, as crianças, com idades entre 4 e 15 anos, escreveram: "Mãe, nós estamos com saudade de você. Eu queria te visitar, mas não tem como". Pela primeira vez, os irmãos passaram o Dia das Mães sem a presença de Larissa, morta a tiros pelo companheiro em setembro de 2025.
A dor da ausência
Desde o crime, os quatro irmãos vivem com a avó Mariza dos Santos, que assumiu a guarda das crianças. "Eu sou mãe, avó, pai, amiga. A minha vida mudou totalmente, mas eu amo eles, eles são a minha fortaleza. As crianças são tudo para mim", desabafou Mariza. Em outro trecho da carta, os filhos escreveram: "Foi o primeiro Dia das Mães sem você. Estamos com saudade. Assinado, seus filhos. Te amamos".
Desafios após o crime
Além do luto, a família enfrenta dificuldades financeiras. Os filhos de Larissa seguem sem pensão oito meses após o feminicídio. A avó, que perdeu a filha, agora exerce múltiplos papéis para cuidar dos netos. "Sou mãe, avó, pai e avô", afirma Mariza, que se dedica integralmente às crianças.
Apoio psicológico é essencial
A psicanalista Alicia Beatriz Dorado de Lisondo, especialista na primeira infância, ressalta que o feminicídio deixa marcas profundas e exige cuidado psicológico. "O importante é que isso não se tampe, que não seja um segredo, porque aí não se permite trabalhar com a raiva, com o ódio, com o choro, com as saudades. E tudo isso faz parte do ser humano", explica. Ela defende que o apoio psicológico de qualidade deveria ser oferecido às famílias desde o registro do boletim de ocorrência.
Sejam criados por avós, padrastos ou tios, órfãos do feminicídio enfrentam um longo caminho de reconstrução. "O que nós entendemos por orfandade é a falta de funções parentais suficientemente boas, porque não existe o perfeito, existe o humano. Que as pessoas tenham esperança nas transformações e na vida. Por mais terrível que seja a situação, estão vivos e é importante que tenham esperança nisso", completa Alicia.



