Tatuí inicia programa inovador com mosquitos 'do bem' para combater dengue
A Prefeitura de Tatuí, no interior de São Paulo, deu início a uma estratégia inovadora no combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. A iniciativa, denominada "Aedes do Bem", foi implantada na última quarta-feira (11) com a instalação de 90 caixas especiais distribuídas por diversos bairros da cidade.
Tecnologia biológica que reduz população de mosquitos
Cada uma das caixas contém ovos de mosquitos machos com característica autolimitante, desenvolvidos por meio de uma solução biológica. Esses mosquitos não picam nem transmitem doenças, mas possuem uma particularidade crucial: ao acasalarem com fêmeas silvestres, geram descendentes que não conseguem chegar à fase adulta.
"Com isso, a cada ciclo reprodutivo, há uma redução progressiva da população de fêmeas, que são as responsáveis pela picada e pela transmissão de doença", explica Natalia Verza Ferreira, diretora executiva da empresa responsável pela tecnologia.
A secretária municipal de Saúde, Fabiana Grechi, ressalta que a proliferação desses mosquitos machos não traz riscos à população. "Essa é uma tecnologia que não tem efeitos colaterais, não traz outros danos. Nem para quem aplica nem para quem tem contato."
Funcionamento e distribuição estratégica
As caixas contêm alimentos que garantem o desenvolvimento dos mosquitos até a fase adulta. Quando em contato com água, os ovos eclodem e apenas as larvas dos machos sobrevivem até a fase adulta, em um ciclo de desenvolvimento que leva cerca de 14 dias.
Cada equipamento tem raio de atuação estimado em até 5 mil metros quadrados, equivalente à capacidade média de dispersão dos mosquitos. A distribuição foi planejada com base em:
- Densidade populacional
- Características urbanas da região
- Dados entomológicos e epidemiológicos
Em Tatuí, a iniciativa foi implantada no perímetro urbano, ao longo do Ribeirão Manduca, desde o Jardim Wanderley até a ponte do Jardim Lírio, além da região sul da cidade. As caixas foram distribuídas por bairros como:
- Jardim Rosa Garcia
- Vila Esperança
- Centro
- Vila Angélica
- Colina Verde
- Vila São Cristóvão
Áreas consideradas críticas para a proliferação do mosquito, como os cemitérios Cristo Rei e São João Batista, também receberam as caixas especiais.
Contexto epidemiológico e vacinação
Neste ano, Tatuí registrou cinco casos de dengue, mas o município já enfrentou situações mais graves anteriormente. Em 2025, a cidade contabilizou mais de 3 mil casos da doença, e cinco anos antes, em 2021, enfrentou um surto com mais de 20 mil casos confirmados, situação que levou a prefeitura a decretar estado de emergência.
Paralelamente ao programa "Aedes do Bem", a vacinação contra a dengue continua disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Tatuí para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Até o momento, foram aplicadas 2.777 primeiras doses e 1.294 segundas doses, segundo dados da secretaria municipal de Saúde.
Orientações à população e alcance nacional
A secretária de Saúde orienta que os moradores não mexam nem removam as caixas. Caso seja identificado qualquer dano ao equipamento, a recomendação é comunicar a prefeitura, que ficará responsável pelo reparo.
"Além da colaboração que a gente pede no cuidado com as suas casas no combate à dengue, a gente pede o cuidado de nos ajudar a cuidar dessas caixinhas do 'Aedes do Bem'. A gente precisa que não sejam alvos de vandalismo", reforça Fabiana Grechi.
De acordo com a empresa responsável pela tecnologia, esta solução biológica já foi adotada por 192 cidades brasileiras, sendo aproximadamente 70 delas apenas no último ano, demonstrando a expansão dessa alternativa no combate ao Aedes aegypti em todo o país.