O médico Derek Camargo, um dos sócios da empresa farmacêutica que prometeu instalar uma fábrica do chamado 'genérico do Ozempic' em Sorocaba (SP), tornou-se alvo de uma investigação da Polícia Federal. A operação, denominada Slim, apura a produção clandestina de medicamentos voltados ao emagrecimento. Na segunda fase da operação, ocorrida em abril deste ano, veículos de luxo e uma aeronave foram apreendidos.
Promessa de fábrica e investimento milionário
A promessa de instalação da fábrica foi feita em setembro de 2024, com anúncio de investimento de R$ 60 milhões e a geração de 300 empregos no Parque Tecnológico de Sorocaba. Na ocasião, o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) participou de um evento da empresa Unikka Pharma e entregou uma placa de homenagem aos sócios, incluindo Derek Camargo. A situação, no entanto, mudou drasticamente com o avanço das investigações.
Operação Slim e produção clandestina
Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Slim, que investigava a produção e venda clandestina do princípio ativo tirzepatida, utilizado em medicamentos para diabetes e obesidade. A empresa farmacêutica foi um dos alvos. Já na segunda fase, em abril de 2026, Derek Camargo tornou-se o principal investigado, com apreensão de bens. Segundo a PF, o objetivo é desarticular uma organização criminosa que atuava na importação e fabricação irregular da substância.
Denúncia da Eli Lilly e quebra de patente
A investigação teve início após denúncia da farmacêutica Eli Lilly do Brasil, que acusa a LCA Farmacêutica (nome fantasia Unikka Pharma) de violação de patente do medicamento Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida. A Eli Lilly detém exclusividade sobre o produto até 2032. A defesa da Unikka Pharma alega que a prática se enquadra na chamada 'manipulação magistral', autorizada por resolução da Anvisa, que permite que farmácias de manipulação importem e preparem fórmulas patenteadas desde que haja prescrição médica individual. No entanto, para a Eli Lilly e as autoridades, a empresa teria ultrapassado os limites, agindo de forma industrial, com produção em série e venda em larga escala, configurando infração de propriedade industrial.
Ações da Justiça Federal
Com base na denúncia, a Justiça Federal autorizou, em outubro de 2025, operações de busca e apreensão nos endereços da empresa e dos investigados. Foram recolhidos computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos, posteriormente devolvidos após cópia das provas digitais. A PF também solicitou ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) a abertura de procedimento administrativo para apurar eventual incompatibilidade entre o exercício da medicina e as atividades farmacêuticas, além da comprovação de medicamentos receitados a um paciente e aplicados em outros.
Posicionamento dos envolvidos
Procurada, a defesa do empresário investigado preferiu não se manifestar. A Prefeitura de Sorocaba confirmou que a empresa desistiu de se instalar no Parque Tecnológico, mas não comentou a participação do prefeito no evento. A Anvisa não respondeu diretamente sobre a autorização para fabricação do genérico, mas já havia informado anteriormente que negou o registro de medicamentos com semaglutida (princípio ativo do Ozempic) e que não há genérico autorizado no país. O Cremesp não se manifestou sobre os pedidos da PF.



