Dólar sobe com inflação nos EUA e guerra no Oriente Médio; entenda
Dólar sobe com inflação nos EUA e guerra no Oriente Médio

O dólar iniciou a sessão desta quarta-feira (13) em alta, registrando um avanço de 0,09% na abertura, cotado a R$ 4,9001. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre suas negociações às 10h. No cenário internacional, os holofotes estão voltados para o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, em meio a expectativas sobre os próximos passos da relação entre as duas maiores economias do mundo. O mercado também segue monitorando as negociações entre Estados Unidos e Irã em busca de um acordo de paz que possa contribuir para a reabertura do Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte global de petróleo.

Brasil: Lula zera imposto para compras internacionais de até US$ 50

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que zera a cobrança de tributos federais sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas em plataformas de comércio eletrônico. A chamada “taxa das blusinhas” havia sido criada por lei em 2024, com alíquota de 20% para encomendas nesse valor, em uma tentativa de conter a entrada de produtos importados e reduzir a concorrência com a indústria nacional, especialmente de empresas chinesas.

Pesquisa eleitoral mostra empate técnico

No campo político, uma nova pesquisa da Quaest mostra empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno das eleições presidenciais de outubro. Lula aparece numericamente à frente, com 42% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 41%. Na sondagem anterior, divulgada em abril, o senador liderava, após ambos terem empatado com 41% em março.

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Inflação nos EUA acelera com guerra no Oriente Médio

Os preços ao consumidor dos Estados Unidos subiram em ritmo acelerado em abril, pelo segundo mês consecutivo. O movimento foi impulsionado pelos custos mais altos de alimentos e de energia, este último como resultado da guerra no Irã. Segundo dados do Departamento do Trabalho americano, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) registrou um avanço de 0,6% no mês passado, após um aumento de 0,9% em março. A alta veio em linha com o esperado pelos analistas do mercado financeiro, segundo a Reuters. Nos 12 meses até abril, o CPI subiu 3,8%, o maior aumento anual desde maio de 2023, seguindo uma alta de 3,3% em março.

Petróleo ultrapassa US$ 100 e impacta combustíveis

Os preços do petróleo ultrapassaram os US$ 100 por barril em março, após os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. O movimento se refletiu imediatamente no aumento dos preços da gasolina, do diesel e da querosene de aviação. Além disso, os preços de alimentos subiram 0,5% em abril nos EUA, após permanecerem estáveis em março. A inflação nos supermercados avançou 0,7%, impulsionada por um aumento de 2,7% nos preços de carne bovina. A forte alta do CPI reforça a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) deve manter os juros do país elevados por mais tempo. Em sua última reunião, o BC americano deixou as taxas inalteradas na faixa de 3,50% a 3,75%.

Inflação no Brasil desacelera, mas alimentos pesam

A inflação oficial do Brasil desacelerou em abril, mas os alimentos continuam pesando no bolso do consumidor. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,67% no mês, abaixo dos 0,88% registrados em março, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo com a desaceleração mensal, a inflação acumulada em 12 meses subiu de 4,14% para 4,39%. Os maiores aumentos vieram dos grupos de alimentação e bebidas, que subiu 1,34%, e saúde e cuidados pessoais, com alta de 1,16%. Juntos, eles responderam por cerca de 67% da inflação de abril. Entre os outros grupos, habitação avançou 0,63%, vestuário 0,52% e transportes teve alta mais leve, de 0,06%.

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Resultados da Petrobras: lucro de R$ 32,7 bilhões

A Petrobras teve lucro de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 7,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar disso, o resultado mais que dobrou na comparação com o fim de 2025. A alta do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, ajudou os resultados da empresa. A petroleira também aumentou a produção de petróleo e as vendas de combustíveis, como diesel e gasolina. Além disso, a estatal aprovou o pagamento de R$ 9 bilhões em dividendos aos acionistas, o equivalente a R$ 0,70 por ação.

Cessar-fogo no Oriente Médio “respira por aparelhos”

As chances de um cessar-fogo entre Irã e os EUA diminuíram após Donald Trump afirmar que a trégua está “respirando por aparelhos”. O Irã rejeitou a proposta americana para encerrar o conflito e exigiu o fim da guerra, compensações pelos danos e o fim do bloqueio naval dos EUA. A tensão também elevou o preço do petróleo: o barril do Brent ultrapassou US$ 107 com o temor de interrupções no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás. Autoridades iranianas mantiveram o tom duro e afirmaram que o país pode ampliar seu programa nuclear caso volte a ser atacado. Enquanto isso, os EUA anunciaram novas sanções contra empresas e pessoas acusadas de ajudar o Irã a vender petróleo para a China. Trump deve chegar à China nesta quarta-feira (13) para se reunir com Xi Jinping, e a crise no Oriente Médio deve estar entre os temas discutidos.

Mercados globais

Após dados de inflação nos EUA virem acima do esperado, as bolsas de Wall Street encerraram sem direção única. Enquanto o Dow Jones subiu 0,11%, o S&P 500 caiu 0,16% e o Nasdaq recuou 0,71%. Na Europa, as bolsas fecharam em queda. O índice alemão DAX recuou 1,54%, enquanto o francês CAC 40 caiu 0,45%. Já o FTSE 100, de Londres, encerrou o dia perto da estabilidade, com leve alta de 0,04%. As bolsas da Ásia fecharam mistas nesta terça-feira, com investidores atentos ao encontro entre Donald Trump e Xi Jinping nesta semana. Na China, os índices recuaram após fortes altas recentes: Xangai caiu 0,25% e Hong Kong perdeu 0,22%. Já o Japão avançou 0,52%. A maior queda foi na Coreia do Sul, onde o índice Kospi recuou 2,29%.