Toffoli se declara suspeito em caso sobre CPI do Banco Master, que investiga rombo bilionário
Toffoli se declara suspeito em caso sobre CPI do Banco Master

Ministro do STF se declara suspeito para decidir sobre instalação da CPI do Banco Master

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, anunciou nesta quarta-feira (11 de março de 2026) que se declarou suspeito para analisar um pedido que visa obrigar a Câmara dos Deputados a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master. A decisão foi fundamentada em "foro íntimo", sem que o magistrado fornecesse detalhes adicionais sobre os motivos.

Contexto da suspeição e ligações com o caso

Toffoli havia deixado a relatoria do Caso Master anteriormente, após reportagens revelarem que ele é sócio de uma empresa que vendeu parte do resort Tayayá, localizado no Paraná, a fundos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro. Um relatório da Polícia Federal, enviado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, citou o nome de Toffoli com base em informações obtidas no celular de Vorcaro, apreendido durante investigações.

Investigação aponta rombo bilionário e ameaças

As apurações da Polícia Federal colocam o Banco Master no centro de uma investigação de grande repercussão, com indícios de irregularidades operacionais. O impacto financeiro estimado é expressivo: as práticas sob escrutínio podem ter gerado um rombo de até R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade criada para proteger investidores em casos de colapso bancário.

Além disso, as investigações revelaram mensagens recuperadas do celular de Vorcaro que sugerem ameaças direcionadas a jornalistas e outras pessoas. Entre os casos citados estão supostas ameaças ao jornalista Lauro Jardim e a uma trabalhadora doméstica. A PF também apurou que Vorcaro teria escondido mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta no nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro.

Acesso indevido a sistemas e defesa do banqueiro

Outro ponto grave levantado pelos investigadores é o acesso indevido a sistemas de instituições como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o FBI e a Interpol. Em nota divulgada por sua assessoria, Daniel Vorcaro contestou a interpretação das mensagens, alegando que foram analisadas fora de contexto.

O empresário afirmou: "Jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto. Sempre respeitei o trabalho da imprensa." Sobre as conversas mais contundentes, admitiu a possibilidade de ter se exaltado, mas negou qualquer intenção de causar dano, declarando: "Se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja."

Desdobramentos judiciais e prisão de Vorcaro

Daniel Vorcaro já havia sido alvo de uma ordem de prisão no ano passado, obtendo liberdade provisória com tornozeleira eletrônica. Agora, uma nova ordem de detenção foi expedida, baseada no conteúdo das mensagens do celular apreendido na Operação Compliance Zero. As investigações continuam, com a CPI do Banco Master sendo um ponto central para esclarecer as suspeitas de irregularidades financeiras e condutas ilícitas.