O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou que se encontrou com Daniel Vorcaro após a primeira prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025. De acordo com o senador, a visita ocorreu na residência de Vorcaro, em São Paulo, com o objetivo de colocar um “ponto final” no financiamento do filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro (PL).
A informação foi publicada inicialmente nesta terça-feira (19) pelo portal Metrópoles e posteriormente confirmada pelo parlamentar. No último dia 15, Flávio já havia admitido que poderia vir a público algum encontro com o então banqueiro, mas não revelou que ele ocorreu após o conhecimento de irregularidades no Banco Master. “Não vai ter surpresinha. Não virão coisas novas”, afirmou em entrevista à CNN Brasil.
Questionado nesta terça, o senador não explicou por que omitiu o encontro. Conforme revelou o site The Intercept Brasil, Flávio solicitou dinheiro a Vorcaro para financiar o filme sobre o ex-presidente, e o ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção. A notícia surpreendeu aliados, pois antes de admitir as conversas, Flávio negou publicamente conhecer Vorcaro em diversas ocasiões.
Declarações contraditórias sobre conhecer Vorcaro
Antes: Em março, documentos da CPI do INSS mostraram que o telefone de Flávio constava na agenda de Vorcaro. Na época, Flávio afirmou nunca ter tido contato com o ex-banqueiro. “O número do meu telefone não é propriamente um segredo”, disse, sugerindo que outra pessoa poderia ter passado o contato.
Depois: No dia 13, o Intercept Brasil revelou que Flávio enviou a Vorcaro, em 16 de novembro de 2024, a mensagem: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. Flávio então mudou o tom e confirmou a aproximação nas redes sociais: “Eu conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024. Não tinha mais governo Bolsonaro, não tinha absolutamente nenhuma acusação contra ele”.
Em entrevistas posteriores, justificou a negação anterior por uma cláusula de confidencialidade do contrato do filme “Dark Horse”. “Quando eu nego que conhecia, que tinha contato com ele, é porque tinha uma cláusula de confidencialidade”, declarou à GloboNews, pedindo desculpas por não ter esclarecido antes.
Financiamento do filme “Dark Horse”
Antes: Questionado em Brasília pelo Intercept sobre o financiamento, Flávio negou diante de jornalistas: “É mentira, de onde você tirou isso? É mentira, pelo amor de Deus”.
Depois: Após a publicação da reportagem, em 13 de maio, ele divulgou nota confirmando os contatos e afirmando não haver irregularidade. “No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai”, declarou.
Encontro após suspeitas sobre o Master
Antes: Em entrevistas, Flávio disse que não sabia das suspeitas sobre o Master na época da troca de mensagens, mas não mencionou o encontro após a primeira prisão de Vorcaro. “Não tinha como saber o que o Brasil não sabia”, afirmou à GloboNews em 14 de maio. Sobre a mensagem enviada quando o Banco Central já havia vetado a compra do Master pelo BRB, disse: “Eu torcia para que ele esclarecesse”.
Depois: Nesta terça, após o Metrópoles divulgar que Flávio encontrou Vorcaro quando este usava tornozeleira eletrônica, o senador declarou: “Eu estive com ele mais uma vez, após esse evento, quando ele passou a usar o monitoramento eletrônico e não podia sair da cidade de São Paulo. Eu fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história, para dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu teria ido atrás de outro investidor há bastante tempo”.
Flávio finalizou afirmando que solicitou à produtora uma prestação de contas, exigindo que o valor aplicado por Vorcaro seja destacado e fique à disposição das autoridades. A sócia-administradora da produtora Go Up Entertainment, Karina Gama, negou repasses do ex-banqueiro para o projeto: “Não tenho absolutamente nenhum recurso oriundo dessa pessoa ou das empresas das quais ele ou Fabiano Zettel fazem parte. De todos os investidores que vieram para a gente, mais de dez, nenhum deles faz parte do conglomerado dele. São empresas americanas que atuam em território americano”.



