Caso Master: Novo relator André Mendonça se reúne com PF e tensão persiste no STF após vazamentos
Caso Master: Mendonça reúne com PF e tensão no STF após vazamentos

Caso Master: Novo relator se reúne com PF enquanto tensão persiste no STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) continua enfrentando um clima de desconforto interno mesmo após a definição do novo relator para o caso Master. A sexta-feira, dia 13, foi marcada por tensões nos bastidores da Corte, intensificadas pela divulgação de detalhes sobre a reunião reservada realizada na quinta-feira anterior, que decidiu pela troca na relatoria.

Reunião estratégica com a Polícia Federal

O ministro André Mendonça, que assumiu formalmente a relatoria na quinta-feira (12), dedicou a tarde de sexta-feira a uma reunião de aproximadamente duas horas com delegados, diretores e agentes da Polícia Federal. O encontro, realizado por videoconferência enquanto Mendonça estava em São Paulo, teve caráter reservado e objetivo claro: alinhar procedimentos para que o ministro possa compreender diretamente o estágio atual das investigações.

Segundo informações oficiais do STF, a reunião serviu para estabelecer os próximos passos. Ficou acertado que a Polícia Federal enviará, nos próximos dias, um relatório detalhado sobre o andamento das apurações que investigam suspeitas de irregularidades nas negociações para a compra do Banco Master pelo BRB. Além disso, a PF se comprometeu a prestar informações completas sobre a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro, que mirou um esquema de fraudes financeiras ligado ao Master.

Decisões cruciais nas mãos do novo relator

Com base nas informações colhidas nesta reunião e nos dados já reunidos, caberá ao ministro André Mendonça tomar decisões fundamentais para o futuro do caso. Entre as principais medidas a serem definidas está a determinação do local adequado para a tramitação – se o processo permanecerá no âmbito do STF ou se será remetido para a primeira instância da Justiça comum.

Fontes próximas à investigação avaliam que, pelo menos inicialmente, a tendência é que Mendonça opte por manter o caso no Supremo. Essa perspectiva se baseia na possibilidade de o inquérito envolver pessoas com foro privilegiado, o que justificaria a competência da Corte máxima.

Troca na relatoria e o desconforto dos bastidores

A mudança na relatoria ocorreu após um dia inteiro de negociações entre os dez ministros do STF. André Mendonça assumiu o lugar de Dias Toffoli, cujo nome foi citado em um relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo. Os peritos encontraram, em um dos celulares de Daniel Vorcaro, dono do Master, mensagens que mencionavam Toffoli, incluindo conversas sobre o pagamento pela compra do resort Tayayá, propriedade da família do ministro no Paraná.

As reuniões que decidiram a saída de Toffoli foram estritamente reservadas, sem a participação de funcionários ou assessores. No entanto, o vazamento de trechos dessas conversas para o site Poder360 gerou profundo desconforto entre os ministros. Alguns integrantes da Corte consideraram particularmente estranho que apenas trechos favoráveis a Toffoli tenham sido divulgados publicamente.

Divergências e acordos revelados

De acordo com a reportagem do Poder360, durante as conversas reservadas, sete ministros – Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques – defenderam a permanência de Toffoli na relatoria. O próprio Toffoli afirmou não ver impedimento para continuar no caso.

A ministra Cármen Lúcia, segundo a publicação, manifestou confiança em Toffoli, mas defendeu que os colegas pensassem na instituição como um todo. Já o presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, teria preferido levar a questão para votação em plenário, o que prolongaria a discussão por pelo menos mais um dia.

O ministro Flávio Dino, conforme a reportagem, reforçou que Toffoli teria maioria para se manter, mas sugeriu uma solução alternativa: que todos assinassem uma nota em defesa do colega, ressaltando que ele havia decidido, por vontade própria, deixar a relatoria. Toffoli concordou com a proposta, argumentando que preferia resolver a situação ainda na quinta-feira. Fachin, então, teria aceitado esse encaminhamento.

Convergência de investigações

André Mendonça acumula agora uma responsabilidade significativa, pois também é relator de investigações sobre fraudes nos descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. O Banco Master é citado em suspeitas de fraudes na concessão de crédito consignado do INSS, o que, segundo assessores do STF, pode levar a um compartilhamento de informações entre os casos, potencialmente ampliando o escopo das apurações.

O cenário que se desenha no Supremo é de tensão persistente e investigações em andamento, com o novo relator buscando estabelecer os rumos do caso Master enquanto tenta administrar o clima interno abalado pelos recentes vazamentos.