Conferência na Alemanha sinaliza ruptura transatlântica e busca por autonomia europeia
Líderes mundiais reunidos em uma importante conferência sobre segurança na Alemanha direcionaram críticas contundentes à política externa do ex-presidente norte-americano Donald Trump e enfatizaram a necessidade urgente de a Europa reduzir sua dependência dos Estados Unidos. O primeiro-ministro alemão foi incisivo ao abrir o evento, declarando que a ordem mundial fundamentada em regras e direitos internacionais não existe mais da mesma forma que no passado.
Ascensão da China e afastamento transatlântico
Em seu discurso, o líder alemão citou explicitamente a ascensão militar da China e o crescente distanciamento entre os Estados Unidos e as nações europeias como fatores centrais dessa nova realidade geopolítica. Friedrich Merz, uma figura proeminente no cenário político alemão, cobrou dos aliados europeus um esforço coletivo para alcançar uma dependência significativamente menor em relação aos Estados Unidos, especialmente em questões de segurança e defesa.
A conferência, que reuniu dezenas de autoridades e especialistas internacionais, teve seu relatório oficial funcionando como um guia para as discussões. O documento afirma de maneira categórica que "um número crescente de líderes ganhou destaque prometendo destruir as instituições existentes em vez de reformá-las" e destaca que "Donald Trump é apenas o representante mais proeminente desse fenômeno da política contemporânea".
Críticas veladas e defesa de reformas
O embaixador americano nas Nações Unidas, Mike Waltz, defendeu uma reforma profunda na instituição, declarando que "a ONU precisa de uma dieta e retornar às funções básicas de manutenção da paz". Enquanto isso, o presidente francês Emmanuel Macron, sem mencionar diretamente Donald Trump, criticou as tarifas comerciais e as investidas sobre territórios europeus, uma clara referência às ameaças anteriores de Trump sobre a Groenlândia.
Essas ameaças, que visavam um território considerado parte da Europa, adicionaram uma camada extra de urgência às discussões sobre o futuro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar histórica que une americanos e europeus. Muitos analistas presentes avaliaram que a conferência de 2025 marcou simbolicamente o início de uma ruptura mais profunda entre os dois lados do Oceano Atlântico.
Reino Unido reconhece aliado, mas pede autonomia
O governo do Reino Unido, em comunicado divulgado na sexta-feira (13), reconheceu que os americanos continuam sendo aliados indispensáveis. No entanto, afirmou com clareza que, diante de um mundo cada vez mais instável e imprevisível, a Europa precisa urgentemente reestruturar sua indústria bélica e assumir a responsabilidade primária por sua própria segurança e defesa.
As declarações e o tom geral da conferência refletem um consenso emergente entre as lideranças europeias de que a era de dependência quase total dos Estados Unidos chegou ao fim. O evento serviu como um marco para debates sobre como construir uma autonomia estratégica europeia viável, capaz de enfrentar os desafios de um cenário global em rápida transformação.