Uma reunião marcada entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Colômbia, Gustavo Petro, representa uma guinada surpreendente nas relações bilaterais, após semanas marcadas por uma retórica agressiva e ameaças veladas. O encontro está agendado para o dia 3 de fevereiro, em Washington, e sinaliza uma busca conjunta por estabilidade em um momento de reconfiguração geopolítica na América do Sul.
Do confronto verbal ao diálogo pragmático
A confirmação do encontro segue uma escalada pública de tensões entre os dois líderes. Trump chegou a classificar Petro como “rei do narcotráfico” e insinuou que a Colômbia poderia enfrentar um destino semelhante ao da Venezuela se não colaborasse com os interesses americanos. Do outro lado, o presidente colombiano elevou o tom, declarando que seu país estava preparado para resistir a uma eventual intervenção dos Estados Unidos.
No entanto, o clima começou a mudar. Trump suavizou publicamente sua retórica, enquanto Petro anunciou abertamente uma conversa telefônica entre ambos e a confirmação da reunião em fevereiro. Para especialistas, como o analista em Direito Internacional Alexandre Teixeira, essa movimentação reflete uma transição de narrativas populistas para o pragmatismo da governança. “Líderes populistas constroem narrativas para seus públicos, mas, passado o impacto inicial, voltam ao pragmatismo”, explicou Teixeira em entrevista ao programa Ponto de Vista.
O pano de fundo venezuelano e a busca por estabilidade
O contexto imediato dessa reaproximação é a situação na Venezuela pós-Maduro. A captura de Nicolás Maduro e a subsequente reorganização do poder em Caracas reposicionaram os Estados Unidos como um ator central na região, exercendo pressão diplomática direta sobre países vizinhos como a Colômbia.
Segundo análise de Teixeira, os EUA optaram por uma estratégia de controle na Venezuela, apoiando a presidente interina Delcy Rodríguez, sem promover uma ruptura total. Esse movimento alterou o equilíbrio regional e deixou claro para Bogotá os limites de qualquer enfrentamento. “A Colômbia sabe que não tem capacidade de enfrentamento direto com os Estados Unidos, seja militar, econômica ou politicamente”, afirmou o especialista.
O que esperar do encontro em Washington?
Diferente de outros episódios constrangedores já vistos na Casa Branca, a expectativa é de que o encontro entre Trump e Petro seja conduzido com foco em resultados. Teixeira avalia que não há interesse americano em humilhar o líder colombiano, mas sim em garantir previsibilidade e diálogo. “Há interesse em previsibilidade, diálogo e estabilidade regional”, completou.
Este diálogo funciona como um freio para evitar uma crise maior. A aproximação reduz o risco de que a escalada retórica anterior se espalhasse por outros países da América do Sul, criando um ambiente mais estável em um momento sensível. “O diálogo é uma sinalização positiva não só para a Colômbia, mas para toda a região”, concluiu o analista.
A reunião de 3 de fevereiro, portanto, marca mais do que um simples compromisso diplomático. Ela simboliza um retorno ao realismo nas relações internacionais, onde os interesses estratégicos de estabilidade e previsibilidade se sobrepõem aos embates verbais, tendo a reconfigurada paisagem política venezuelana como pano de fundo fundamental.