Em meio à campanha pelo Oscar e com o Globo de Ouro no horizonte, o ator brasileiro Wagner Moura surpreendeu ao emitir uma opinião contundente sobre a recente intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela. Em entrevista a um podcast do The Hollywood Reporter, o astro não poupou críticas tanto ao governo norte-americano quanto ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
Crítica dupla em tom firme
Questionado sobre o ataque ordenado pelo governo Trump, que resultou em bombardeios e na captura do líder venezuelano, Moura foi direto. “Acho que a Venezuela merece coisa melhor do que Maduro, mas os Estados Unidos invadir um país e bombardeá-lo, matando pessoas e sequestrando seu presidente, é um precedente muito, muito perigoso”, declarou ele na conversa, que aconteceu em 9 de janeiro de 2026.
O ator foi enfático ao separar sua condenação ao ataque de qualquer apoio ao regime vigente. “Não se trata de apoiar Maduro e seu regime. Eu penso que ele é um ditador”, atestou, sem meias palavras. Moura ainda relacionou a ação atual a um passado sombrio, afirmando que a situação o fez refletir sobre “antigos tempos de imperialismo”.
Ligação com o filme 'O Agente Secreto'
O momento da fala de Wagner Moura não é aleatório. O ator está em alta nos Estados Unidos e concorre ao Globo de Ouro de melhor ator no domingo, 11 de janeiro, por sua atuação em “O Agente Secreto”, filme dirigido por Kleber Mendonça Filho. A trama, ambientada no Recife durante a ditadura militar brasileira, embora não trate diretamente do regime, explora um clima de repressão.
Moura fez uma conexão direta entre a ficção e a realidade geopolítica. “Tenho certeza que vocês sabem que todas as ditaduras na América do Sul nos anos 60 e 70 — a que falamos em 'O Agente Secreto', por exemplo — foram todas apoiadas pela CIA nos Estados Unidos”, lembrou o ator. Para ele, é fundamental “condenar esse ataque como um ataque a um país soberano que tem seus problemas”.
Um posicionamento político em evidência
A declaração de Wagner Moura vai além de um simples comentário de celebridade. Ela coloca o ator no centro de um debate internacional sensível, posicionando-o contra ações unilaterais de potências estrangeiras, mesmo quando o alvo é um governo amplamente criticado. Sua fala equilibrada — que condena a violência da intervenção sem absolver o ditador local — ressalta a complexidade das relações internacionais na América do Sul.
O episódio demonstra como artistas brasileiros em projeção global podem usar sua visibilidade para discutir temas geopolíticos, trazendo à tona reflexões históricas sobre a influência dos Estados Unidos na região. A entrevista ocorreu durante o evento Governors Ball, em Hollywood, Califórnia, simbolizando um diálogo crítico vindo de dentro do próprio coração cultural dos EUA.